Conversas fazem parte do relatório apresentado pela corporação para argumentar pela necessidade de manter os dois presos e foi tornado público nesta terça-feira (16) pelo ministro André Mendonça A Polícia Federal apresentou ao Supremo Tribunal Federal um conjunto de trocas de mensagens entre o empresário Henrique Vorcaro e Manoel Mendes Rodrigues - apontado como bicheiro no Rio de Janeiro e conhecido como Manolo - que mostram a preocupação do segundo com o avanço das investigações e suas tentativas de entrar em contato com os advogados de Daniel Vorcaro. Em determinado momento, como não conseguia agendar reunião com os advogados do ex-banqueiro, Manolo chega a afirmar a Henrique Vorcaro: "Irmão, não é possível que vc inteligente como e, não tenha enxergado a gravidade". As conversas fazem parte do relatório apresentado pela corporação para argumentar pela necessidade de manter os dois presos e foi tornado público nesta terça-feira (16) pelo ministro André Mendonça. Para a PF, os diálogos mostram a preocupação dos dois em alinharem suas defesas após a PF prender dois integrantes do grupo conhecido como " A Turma" que atuava como uma milícia particular de Vorcaro. Os diálogos ocorreram no Whatsapp entre os dias 13 e 19 de março deste ano, dias depois de a PF deflagrar a terceira fase da Compliance Zero e que prendeu o próprio Daniel Vorcaro além de dois integrantes da "Turma". A PF recuperou as conversas ao analisar os celulares apreendidos de Henrique e Manolo e, mesmo sem ter conseguido recuperar os detalhes das chamadas por voz, apresentou um relatório parcial ao STF mostrando os fatos que considerou mais relevantes. No dia 13, após uma chamada de vídeo, Manolo pergunta a Henrique Vorcaro se ele "conseguiu", ao que ele responde com o contato do criminalista Roberto Podval, que defendia Daniel Vorcaro até ele ser detido na terceira fase da operação. Na sequência, Manolo questiona: "Já avisou a ele?", ao que Henrique Vorcaro afirma "já". No mesmo dia, após uma chamada por Whatsapp entre Henrique e Manolo, o pai de Vorcaro encaminha o contato do advogado Sergio Leonardo, que segue até hoje na defesa do ex-banqueiro e foi o responsável por apresentar a segunda proposta de colaboração premiada rejeitada nesta semana pela PGR. Na sequência da conversa, Manolo afirma que o advogado não estava respondendo e diz que "preciso marcar com ele em São Paulo segunda urgente. Liga e pede pra ele atender, por favor". "Ele está fora da área, mas falou que irá falar com seu advg (sic). Assim que conseguir falar te aviso", respondeu Henrique no dia 14 de março. No dia 16, Manolo volta a cobrar Henrique Vorcaro: "Conseguiu?", ao que o empresário responde "ficou de me ligar. Vou insistir". "Celebridade. Cara ficou de mandar o material para alinhar as defesas isso tem 4 horas", afirmou Manolo. O diálogo chamou atenção da PF pelo fato de ter ocorrido após a terceira fase da operação Compliance Zero, que mirou justamente no grupo do qual Manolo fazia parte. "Percebe-se que, mesmo sem terem sido alvos de operações policiais, ambos já atuavam de maneira antecipada para alinhar suas teses defensivas, uma vez que presumiam que poderiam ser alvo das próximas etapas das investigações", diz o relatório da PF. O próximo diálogo mencionado no relatório da PF é do dia 19 de março e nele Manolo afirma que "o advogado" teria desmarcado com "dr Andre", que estava em Brasília naquele dia, dando a entender que se tratava de seu defensor. "Liga nesse infeliz, a gente precisa alinhar isso urgente", afirmou Manolo ao pai de Vorcaro, que respondeu: "Eles estão em trabalho lá forte. Temos que entender". Na época, a defesa de Vorcaro estava nas tratativas para negociar sua primeira proposta de colaboração premiada, que contou com a atuação do criminalista José Luís de Oliveira Lima, conhecido como Juca. Na sequência, Manolo sobe o tom e envia as mensagens em caixa alta: "Isso faz parte do trabalho Henrique. Irmão não é possível que vc inteligente como é (sic), não tenha enxergado a gravidade. Teu advogado é o Pacelli (em referência a Eugênio Pacelli, advogado de Henrique Vorcaro)". Ao que Henrique Vorcaro responde com um "sim". A conversa citada no relatório da PF termina ainda com Manolo perguntando novamente se Henrique tinha conseguido falar com o advogado, mas no documento da PF não aparece se houve resposta. "Novamente, verifica-se uma preocupação exacerbada de Manoel Mendes Rodrigues logo após as prisões de Marilson Roseno Da Silva e Felipe Mourão. Manoel, a todo momento, mantém contato com Henrique Vorcaro na intenção de ambos alinharem suas teses defensivas junto a seus respectivos advogados, presumindo que serão alvos dos futuros desdobramentos da Operação Compliance Zero", diz a PF no relatório. Procurados, os advogados Roberto Podval e Sergio Leonardo negaram ter tido qualquer contato com Manoel Rodrigues. A defesa de Henrique Vorcaro afirmou que o relatório da PF não traz nenhuma novidade e que seu cliente possuía relação contratual com o bicheiro para serviços de segurança relativos a um terreno onde ele pretendia realizar um empreendimento, na zona oeste do Rio de Janeiro. ""Essas pessoas tinham relações contratuais com Henrique, verdadeiras e concretas, por serviços de comissão por transação mobiliária, vigilância de um terreno de 120 hectares no Rio de Janeiro. Tudo isso é documentado, o ministro sabe e, no entanto, não se pronunciou sobre essas questões", afirmou Eugênio Pacelli. O bicheiro Manoel Manolo Rodrigues, preso pela PF — Foto: Reprodução/g1
‘Não é possível que você não tenha enxergado a gravidade’, disse bicheiro a pai de Vorcaro após operação da PF
Conversas fazem parte do relatório apresentado pela corporação para argumentar pela necessidade de manter os dois presos e foi tornado público nesta terça-feira (16) pelo ministro André Mendonça













