Corporação avaliou que conteúdo entregue não acrescenta elementos novos à investigação 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master — Foto: Ana Paula Paiva/Valor RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 12/06/2026 - 11:36 Polícia Federal rejeita segunda proposta de delação de banqueiro Vorcaro O banqueiro Daniel Vorcaro, preso em Brasília, teve sua segunda proposta de delação premiada rejeitada pela Polícia Federal por não trazer novas informações à investigação de fraudes financeiras. A defesa alega que o material é inédito, mas a PF e a PGR consideram insuficientes os elementos apresentados. Vorcaro tenta evitar prisão comum, enquanto o STF ainda analisa a situação. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O advogado Sérgio Leonardo visitou na manhã desta sexta-feira o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que está preso na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. O encontro, que durou cerca de duas horas, ocorreu no dia seguinte à PF formalizar que rejeitou a segunda proposta de delação premiada apresentada pelo executivo. A informação foi comunicada oficialmente ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça. A Procuradoria-Geral da República (PGR), com quem a defesa de Vorcaro também negocia, ainda não deu resposta formal sobre o caso. A PF considerou que o material não trazia novidades ao que já havia sido mapeado pelas investigações, além de não trazer elementos de provas, que são essenciais para os acordos de colaboração. Os investigadores têm em mãos oito celulares de Vorcaro, com acesso a documentos e mensagens. Segundo a percepção dos investigadores, o banqueiro teria poucas condições de corroborar os seus relatos com documentos, pois já não tem o controle do Master, liquidado pelo Banco Central em novembro. Investigadores sustentam que os anexos entregues não apresentam fatos suficientemente inéditos nem elementos de corroboração capazes de justificar o avanço de um acordo de colaboração. Também há uma percepção entre eles de que o banqueiro não está disposto a cooperar e estaria só tentando ganhar tempo longe de um presídio comum. A PF e a PGR passaram os últimos dias analisando a segunda proposta. A avaliação predominante é que Vorcaro procurou mais se defender e justificar os favores à classe política do que admitir crimes e apontar novos caminhos de investigação, o que era esperado numa delação. Vorcaro é suspeito de comandar um esquema de fraudes financeiras que lesou correntistas e investidores do Master, o que incluiu fundos de previdência de estados e municípios, como o Rioprevidência. O rombo no Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que arca com aplicações de até R$ 250 mil, foi de cerca de R$ 50 bilhões. Esta é a segunda vez que a PF se retira das negociações com o banqueiro — a primeira ocorreu em maio e levou a uma troca na equipe de defesa. Na ocasião, o advogado José Luis Oliveira Lima, o Juca, deixou o caso, que agora tem à frente o criminalista Sérgio Leonardo. Interlocutores da defesa do banqueiro, por sua vez, alegam que o material entregue traz um conjunto de histórias inéditas e é consistente. Para eles, há uma avaliação de que os investigadores estão com má vontade em prosseguir com o acordo. Após firmar um acordo de confidencialidade, em março, o que marcou o início das tratativas, Vorcaro foi autorizado a ficar numa cela especial na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, onde pode receber diariamente os advogados das 9h às 17h. Benefício em troca de informação Um acordo de colaboração premiada é um meio de obtenção de provas e prevê, entre outros pontos, a confissão de crimes e o pagamento de multa. Em troca, o investigado obtém benefícios, como redução de pena e progressão de regime, entre outros. Para ter validade jurídica, a delação precisa ser homologada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, relator do caso Master na Corte. E o ministro já deu indicativos de que não irá concordar com a colaboração se ela não acrescentar fatos novos à apuração. Se o acordo não for adiante, a PF e a PGR ficam impedidas de utilizar o conteúdo dos anexos já entregues.