PF e PGR rejeitaram pela segunda vez proposta de colaboração apresentada pelo banqueiro 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master — Foto: Ana Paula Paiva/Valor RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 16/06/2026 - 10:27 Impasses na delação de Vorcaro mantêm investigações ativas e tensões no STF O caso do banqueiro Daniel Vorcaro segue sem acordo de delação premiada após a rejeição da Procuradoria-Geral da República e da Polícia Federal pela segunda vez. As negociações estagnadas abrem caminho para que a investigação prossiga normalmente. No entanto, decisões pendentes no STF podem afetar o futuro de Vorcaro, incluindo sua prisão preventiva. As informações fornecidas por Vorcaro nas propostas rejeitadas não podem ser usadas contra ele, a menos que comprovadas independentemente. O advogado de Vorcaro esclarece que decisões favoráveis a seus parentes não se aplicam automaticamente a ele, devido às circunstâncias distintas de seu caso. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A situação do banqueiro Daniel Vorcaro entrou em uma nova fase após o impasse nas negociações de uma segunda versão da proposta de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Polícia Federal (PF). Sem acordo de colaboração, a investigação segue seu curso normal, enquanto decisões pendentes no Supremo Tribunal Federal (STF) podem influenciar diretamente o futuro de Vorcaro, incluindo a manutenção da prisão, eventual mudança no regime de custódia e a análise de novos recursos da defesa. Veja perguntas e respostas A PF e a PGR podem usar informações que Vorcaro incluiu na proposta de delação premiada rejeitada? Em regra, não. A legislação que trata da colaboração premiada estabelece que as informações fornecidas durante as negociações não podem ser utilizadas exclusivamente contra o colaborador caso o acordo não seja formalizado. Um trecho da lei de 2013 diz que "na hipótese de não ser celebrado o acordo por iniciativa do celebrante, esse não poderá se valer de nenhuma das informações ou provas apresentadas pelo colaborador, de boa-fé, para qualquer outra finalidade". Contudo, se a PF ou o Ministério Público obtiverem provas independentes a partir de diligências próprias, essas evidências podem ser utilizadas normalmente na investigação. O advogado criminalista Daniel Bialski explicou que a PF, a partir das provas já obtidas, pode chegar ao mesmo resultado que alcançaria a partir das informações de Vorcaro, mas jamais usar os elementos que ele forneceu. Daniel Vorcaro pode ser solto? Sim. Existem caminhos que podem levar à revisão da prisão preventiva definida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por unanimidade. A principal aposta da defesa está em julgamentos envolvendo o pai de Daniel Vorcaro, Henrique Vorcaro, e seu primo, Felipe Vorcaro. Ambos foram presos por determinação do ministro André Mendonça, mas seus casos ainda aguardam conclusão de julgamento na Segunda Turma do Supremo. Até agora, os ministros André Mendonça e Luiz Fux votaram pela manutenção das prisões. O caso deve ter a análise retomada nesta terça-feira, após o ministro Gilmar Mendes, que havia pedido mais tempo para analisar, liberar o processo. Caso Gilmar e o ministro Nunes Marques votem pela soltura, o empate favorece o réus, e Henrique e Felipe sairiam da prisão. Esse entendimento poderia favorecer um novo pedido de Daniel Vorcaro. O advogado Daniel Bialski, no entanto, afirmou que decisões que favoreçam familiares do Vorcaro não são aproveitadas automaticamente por Vorcaro. —As condições pessoais e processuais dele são diferentes. Ainda que essa decisão seja favorável aos réus, não haverá qualquer tipo de benefício que possa ser aproveitado pelo Vorcaro — disse. O que justifica legalmente uma mudança de custódia e transferência de presídio? Após ser preso em São Paulo, Vorcaro foi transferido para o Presídio Federal de Brasília. Com as negociações do acordo de delação premiada, ele foi levado à Superintendência da PF na capital federal, com uma estrutura melhor, e ficou na mesma cela onde o ex-presidente Jair Bolsonaro cumpriu parte de sua pena. O advogado Daniel Bialski explica que a mudança é justificada pelo fato de que quando se está negociando um acordo de delação premiada, a defesa do preso precisa ter uma interlocução com ele quase todos os dias por algumas horas, e isso é inviável em um presídio comum. Existe algum prazo legal para que um acordo de delação seja formalizado? Não existe um prazo fixado em lei, e Vorcaro pode voltar a negociar em qualquer etapa do processo. A lei prevê que os acordos de colaboração podem ser assinados até mesmo depois de uma sentença condenatória. Por que a PF e a PGR rejeitaram pela segunda vez a proposta de delação? Investigadores avaliam que Vorcaro não apresentou elementos novos, provas que corroborassem as afirmações nem aprofundou temas sobre os quais o inquérito já reuniu uma série de indícios, como as conexões políticas.