Confronto no Líbano ameaça a continuidade das negociações entre EUA e Irã, afirma Guga Chacra em newsletter especial Família libanesa olha os escombros de hospital destruído por ataque de Israel à cidade de Tiro, no sul do Líbano — Foto: Kawnat Haju/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 02/06/2026 - 06:23 Irã mantém apoio ao Hezbollah, complicando relações EUA-Israel O Irã não pretende abandonar o Hezbollah, ameaçando retomar ataques contra Israel e interesses dos EUA no Golfo Pérsico se Israel não cessar ações no Líbano. Donald Trump pediu a Netanyahu que parasse os ataques, visando manter negociações EUA-Irã. Enquanto isso, o Hezbollah, crucial para Teerã, continua a ser um ponto de discórdia, com as relações EUA-Israel ficando tensas, mas não rompidas. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Desde a eclosão da guerra no Irã, Guga Chacra escreve newsletter diária com informações e análises exclusivas. Clique aqui para se inscrever. O regime de Teerã não está disposto a abandonar o Hezbollah. Ameaçou retomar os ataques contra Israel e interesses norte-americanos no Golfo Pérsico se os israelenses não suspendessem as ações militares no território libanês. Donald Trump recebeu o recado e ordenou a Benjamin Netanyahu que parasse com os ataques ao Líbano. Em troca, o Irã também teria dado a mesma ordem ao grupo xiita libanês. Briga – Trump teria inclusive gritado com Netanyahu em ligação, de acordo com o site de notícias Axios. O primeiro-ministro israelense estaria irritando o presidente norte-americano com seus ataques ao Líbano, que colocam em risco as negociações entre os EUA e o Irã. O embate, no entanto, não significa uma ruptura, como explicarei mais adiante. Demanda iraniana – O foco imediato das negociações é a reabertura do Estreito de Ormuz e o fim do bloqueio dos EUA aos portos iranianos. O programa nuclear do Irã e as sanções impostas ao país ficariam para um segundo momento. Mas o regime de Teerã não quer seguir com a diplomacia enquanto o Hezbollah estiver sob ataques israelenses. Não é problema de Trump – Com a inflação em alta, a popularidade em baixa e a dias do início da Copa do Mundo e de seu aniversário, Trump aparenta estar relutante em retomar o conflito e claramente prefere um acordo. O Hezbollah, para o presidente, é um problema de Israel e do Líbano. Já os EUA não são ameaçados pelo grupo. Fracasso – A estratégia até agora vinha sendo mediar negociações entre os governos do Líbano e de Israel. Os dois lados até negociaram um cessar-fogo que nunca foi respeitado por Netanyahu e pelo Hezbollah. Aos poucos, Trump percebeu que o premier israelense nunca esteve interessado numa trégua e o governo libanês, por mais bem-intencionado que seja, não tem força para impor nada ao grupo apoiado pelo Irã. Lembrança – Aqui cabe lembrar mais uma vez que o governo do Líbano não é aliado do Hezbollah e defende o desarmamento do grupo. Ao mesmo tempo, quer que Israel desocupe o território libanês e seja firmado um acordo nos moldes do armistício de 1949, com os dois países respeitando as respectivas fronteiras. Violações – Não está claro se Israel e o Hezbollah respeitarão o cessar-fogo ou seguirão desrespeitando como fazem agora. Houve uma outra trégua depois do fim da guerra de 2023-2024. Israel violou aquele acordo milhares de vezes, segundo a Unifil, as forças de paz da ONU no sul do Líbano. O Hezbollah respeitou até o fim de fevereiro, quando voltou a atacar Israel depois de israelenses e norte-americanos atacarem o Irã. Importância – O Hezbollah possui uma importância muito maior para o regime de Teerã do que outras organizações da região, como o Hamas. A criação do grupo tem sua raiz na Guarda Revolucionária Iraniana, além da marginalização da sociedade xiita no Líbano, historicamente dominada por cristãos, drusos e muçulmanos sunitas, e a ocupação israelense do sul do território libanês entre 1982 e 2000. Já o Hamas tem sua origem na Irmandade Muçulmana, que é sunita. Notem que os iranianos não tentam impor demandas sobre Gaza. Apenas no Líbano. Desgaste – Os EUA veem Israel como seu maior aliado militar no Oriente Médio. Há ligações militares, econômicas, culturais e políticas entre os dois países. Trump também sempre foi um defensor de Israel e até possui uma relação de amizade há décadas com Netanyahu, apesar de brigas ocasionais como a que teria ocorrido nesta segunda-feira. Mas a imagem israelense está se desgastando entre os norte-americanos, como escrevi aqui na semana passada. Tanto uma parcela dos eleitores republicanos como muitos democratas passaram a condenar as ações de Israel contra os palestinos e também por ter levado, na visão deles, os EUA a mais uma guerra no Oriente Médio. Divergência – Trump não pretende abandonar Israel. Apenas deve avaliar que, neste momento, talvez seja melhor os israelenses interromperem suas ações militares no Líbano para que os EUA possam avançar nas negociações com o Irã. Netanyahu, no entanto, não quer um acordo entre Washington e Teerã que não leve em conta as demandas de Israel — fim do programa nuclear, restrição ao programa de mísseis balísticos e fim do apoio ao Hezbollah. Ironicamente, a reabertura de Ormuz seria o ponto menos importante para o premier.
O Irã não quer abandonar o Hezbollah
Confronto no Líbano ameaça a continuidade das negociações entre EUA e Irã, afirma Guga Chacra em newsletter especial
















