Novos bombardeios americanos contra instalações iranianas e ataques retaliatórios elevam tensão no Golfo; no território libanês, Estado judeu intensifica ações contra o Hezbollah Equipes de resgate inspecionam prédio atingido por ataque israelense em Choueifat, ao sul de Beirute — Foto: Ibrahim Amro / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 28/05/2026 - 09:27 Conflito EUA-Irã e ofensiva israelense elevam tensões no Oriente Médio EUA e Irã trocam ataques, elevando tensões no Golfo, enquanto Israel intensifica ofensiva contra o Hezbollah no sul do Líbano. Após ameaças de Trump, EUA derrubaram drones iranianos e atacaram instalações em Bandar Abbas. Irã retaliou com ataque a base americana. Israel realizou bombardeios no Líbano, resultando em mortes e deslocamentos. Negociações de paz seguem em meio a confrontos e sanções. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Um dia após o presidente americano, Donald Trump, ameaçar “terminar o trabalho” caso o Irã não aceite um acordo para encerrar a guerra, os Estados Unidos e a República Islâmica trocaram novos ataques — ameaçando um já frágil cessar-fogo entre os dois países —, enquanto Israel ampliou sua ofensiva no sul do Líbano contra o Hezbollah. Em comunicado, as Forças Armadas americanas anunciaram ter derrubado quatro drones iranianos de ataque na região do Estreito de Ormuz e atingido uma instalação militar em Bandar Abbas, cidade portuária estratégica no sul do Irã. Segundo autoridades americanas, o alvo incluía uma estação de controle terrestre que estaria prestes a lançar um quinto drone. O Comando Central dos EUA (Centcom) afirmou que as ações foram “medidas puramente defensivas e destinadas a manter o cessar-fogo”. Autoridades americanas disseram ainda que os drones representavam ameaça à navegação e às forças dos EUA na região. Horas depois, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã afirmou ter atacado uma base aérea americana “que serviu como origem do ataque” contra Bandar Abbas. O Irã não informou qual instalação havia sido atingida, mas o Kuwait — que abriga bases militares americanas — disse ter interceptado “ameaças hostis de mísseis e drones”. A emissora estatal iraniana IRIB informou que o ataque foi uma retaliação aos bombardeios dos EUA. Entraves no Estreito de Ormuz É a segunda vez em três dias que os EUA atacam alvos no Irã. Washington descreve as operações como “legítima defesa”, feitas contra plataformas de lançamento de mísseis e embarcações iranianas que tentavam instalar minas no estreito. O Centcom afirmou que esses ataques foram planejados para “proteger nossas tropas das ameaças” do Irã. A Guarda Revolucionária, por sua vez, afirmou que forças iranianas dispararam contra quatro embarcações que tentavam atravessar o estreito sem coordenação com as autoridades locais. Na segunda-feira, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, afirmou que Teerã estava cobrando taxas por “serviços de navegação” e continuaria administrando o tráfego da rota, essencial para o comércio de petróleo e gás natural. Em resposta, o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, descreveu a medida como “a mais recente tentativa das Forças Armadas iranianas de extorquir o comércio marítimo global” e uma “prova” de que o Irã está “desesperado por dinheiro”. Os Estados Unidos também impuseram sanções à “Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico”, órgão iraniano encarregado de cobrar pagamentos de navios que atravessem o Estreito de Ormuz. Negociações prolongadas vêm sendo realizadas para encerrar a guerra, iniciada em fevereiro e que, desde então, fez disparar os preços globais da energia. Embora tenha dado sinais positivos de avanço nas tratativas desde o fim de semana, Trump afirmou, em reunião de Gabinete na quarta-feira, que Teerã está “negociando no limite” — e insistiu que sua estratégia de guerra não será impactada pelas eleições de meio de mandato. O presidente declarou que um acordo de paz com o Irã havia sido “amplamente negociado”, mas que os EUA ainda “não estão satisfeitos”. Ele também disse que o Irã está “empenhado” em chegar a um acordo, mas que “até agora eles não chegaram lá”, repetindo a disposição de Washington de retomar os ataques caso um acordo não seja alcançado. Trump ainda afirmou que o estreito de Ormuz estará “aberto para todos” e sugeriu que Omã, aliado dos EUA e citado em discussões sobre uma eventual administração conjunta da hidrovia com o Irã, “vai se comportar como todo mundo ou teremos de explodi-los”. A Casa Branca não esclareceu posteriormente se o presidente havia se expressado mal. Ataques no Líbano Enquanto isso, no Líbano, Israel intensificou ataques aéreos e operações terrestres contra o Hezbollah. As Forças Armadas israelenses afirmaram ter atingido mais de 135 alvos do grupo nas regiões de Tiro, Vale do Bekaa e sul do país nas últimas 24 horas, incluindo plataformas de lançamento de foguetes, campos de treinamento e instalações militares. Ao todo, o Exército disse ter bombardeado 550 alvos desde o início da semana. Na madrugada desta quinta-feira, ondas de ataques atingiram Tiro, uma das maiores cidades libanesas. Vídeos divulgados nas redes sociais mostraram explosões, incêndios e edifícios destruídos, enquanto moradores cobertos de poeira se reuniam nas ruas. Segundo o Ministério da Saúde do Líbano e a agência estatal NNA, ao menos 14 pessoas morreram e 37 ficaram feridas no sul do país, incluindo mulheres, crianças e um soldado libanês. Em Sidon, um drone israelense atingiu um prédio residencial que abrigava famílias deslocadas, matando cinco pessoas e ferindo outras 21. Entre os mortos estava Hossan Zeidan, ex-correspondente da emissora iraniana al-Aalam. Na cidade costeira de Adloun, outro ataque de drone atingiu um carro que transportava uma família que tentava fugir da região, matando seis pessoas, entre elas duas crianças e seus pais. Antes da ofensiva, os militares israelenses emitiram ordens de evacuação em larga escala para moradores do sul do Líbano, instruindo a população a seguir para o norte do rio Zahrani, a cerca de 40 quilômetros da fronteira israelense. A medida abrange aproximadamente 14% do território libanês e cerca de 300 cidades e vilarejos, tornando-se a maior ordem de retirada desde a entrada em vigor do cessar-fogo, em meados de abril. Abrigos em Sidon já atingiram a capacidade máxima, segundo autoridades locais, enquanto moradores de Tiro foram orientados a seguir até Beirute. O Hezbollah afirmou que seus combatentes entraram em confronto “à queima-roupa” com forças israelenses em Zawtar al-Sharqiyeh, ao norte do rio Litani. O grupo também reivindicou dezenas de ataques com drones e foguetes contra tropas israelenses no sul do Líbano e no norte de Israel. Os militares israelenses disseram que um soldado morreu em um ataque de drone do Hezbollah no norte do país e que dois reservistas ficaram feridos. A intensificação da ofensiva ocorreu após o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, anunciar a ampliação das operações militares no Líbano, citando ataques do Hezbollah com drones explosivos de fibra óptica contra tropas israelenses e cidades próximas da fronteira. Autoridades militares israelenses e libanesas devem realizar nesta sexta-feira, em Washington, suas primeiras negociações de segurança desde o início do conflito. O Hezbollah rejeitou as conversas e declarou apoio às negociações conduzidas pelo Irã com os EUA, insistindo que qualquer acordo precisa incluir o Líbano. Segundo o Ministério da Saúde do Líbano, mais de 3,2 mil pessoas morreram desde o início da guerra, enquanto mais de 1 milhão foram deslocadas. Israel afirma que ao menos 23 soldados e quatro civis israelenses morreram no mesmo período. (Com AFP)
EUA e Irã trocam ataques enquanto Israel amplia ofensiva no sul do Líbano
Novos bombardeios americanos contra instalações iranianas e ataques retaliatórios elevam tensão no Golfo; no território libanês, Estado judeu intensifica ações contra o Hezbollah













