Bombardeios mataram ao menos 16 pessoas no sul libanês, e ministro israelense diz que país deve ‘arder em chamas’; ainda não há previsão para retomada do diálogo 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Fumaça sobe após ataque israelense perto de Aarab Salim, no sul do Líbano; pelo menos 16 pessoas foram mortas em nova ofensiva de Israel — Foto: AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 19/06/2026 - 08:40 Ataques de Israel no Líbano matam 16 e adiam negociações EUA-Irã Israel intensificou ataques no sul do Líbano, matando pelo menos 16 pessoas, em resposta a violações do cessar-fogo pelo Hezbollah. A escalada de violência levou ao adiamento das negociações entre EUA e Irã na Suíça, que visavam implementar um acordo para encerrar a guerra. O ministro israelense Ben Gvir prometeu represálias severas, enquanto líderes globais pedem respeito ao cessar-fogo. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Pelo menos 16 pessoas foram mortas no sul do Líbano após uma série de ataques realizados por Israel na madrugada desta sexta-feira. Forças Armadas israelenses disseram ter atingido integrantes e infraestrutura do Hezbollah em várias áreas do país e justificaram as operações como uma resposta a repetidas violações do cessar-fogo pelo grupo. As ofensivas fizeram com que a delegação iraniana adiasse sua chegada à Suíça para discutir a implementação do acordo firmado nesta semana entre Washington e Teerã para encerrar a guerra. Segundo uma fonte diplomática ouvida pelo jornal israelense Haaretz, o cancelamento das negociações não foi uma surpresa. O Irã, disse, tentou “impor” às demais partes negociadoras sua interpretação do memorando de entendimento, que, uma vez assinado, determina o fim imediato e permanente da guerra em todas as frentes, incluindo o Líbano. Na madrugada, a Suíça confirmou o adiamento das conversas, sem apresentar uma nova data. Horas antes, a Casa Branca já havia antecipado que o vice-presidente americano, JD Vance, havia cancelado a viagem que faria ao país para participar do início das negociações. Um porta-voz afirmou que a logística das conversas “nunca foi simples nem previsível”, mas que espera iniciar as discussões “o quanto antes”. Citando “violações de cessar-fogo”, Israel afirmou ter atacado mais de 80 alvos do Hezbollah durante a noite, incluindo centros de comando, posições de lançamento e outras estruturas que classificaram como “terroristas”. Em nota, militares disseram que dezenas de integrantes do grupo foram mortos nos ataques. Quatro soldados israelenses também morreram em combate no sul do Líbano, nas primeiras baixas registradas desde a assinatura do acordo entre Estados Unidos e Irã. “Para cada lágrima de uma mãe israelense, mil mães libanesas devem chorar. Todo o Líbano deve arder em chamas”, disse o ministro israelense da Segurança Nacional, o ultradireitista Itamar Ben Gvir, no X, acrescentando: “Com todo o respeito aos americanos, Israel deve deixar claro para o mundo inteiro que o sangue de nossos filhos e a segurança de nossos cidadãos não estão à mercê. No Oriente Médio, não se vence com respostas comedidas e contenção”. A escalada levou a França a pedir que Israel respeite os termos do entendimento firmado entre Washington e Teerã. O ministro das Relações Exteriores francês, Jean-Noël Barrot, afirmou que o acordo prevê a cessação das hostilidades e defendeu que os EUA exerçam pressão sobre o governo israelense para garantir seu cumprimento. — Esse acordo prevê a cessação das hostilidades. O governo israelense deve respeitá-lo, e os Estados Unidos, em particular, devem exercer toda a pressão necessária sobre o governo israelense para garantir que isso aconteça — declarou o ministro à rádio FranceInfo. Implementação do acordo As conversas previstas para esta sexta tinham como objetivo iniciar a fase de implementação do acordo assinado na quarta pelos presidentes americano, Donald Trump, e iraniano, Masoud Pezeshkian. Segundo informações divulgadas pelos dois governos, o memorando estabelece um prazo de 60 dias para negociações mais detalhadas e prevê a diluição dos estoques iranianos de urânio altamente enriquecido, além da suspensão de sanções apoiadas por Washington, permitindo ao Irã retomar livremente as exportações de petróleo. O principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou na rede X que Teerã responderá a qualquer descumprimento do acordo. Em caso de “má-fé, quebra de acordo ou exigências excessivas” por parte dos EUA, escreveu, o Irã “não hesitará em impor uma resposta esmagadora ao inimigo”. Em outro post, disse que as negociações com Washington continuarão limitadas pelas “linhas vermelhas” de Teerã. — Como demonstramos em negociações anteriores, somos firmes no cumprimento das condições e das linhas vermelhas estabelecidas, assim como na defesa dos interesses da nação iraniana — disse, citado pela agência IRNA. — Se o inimigo busca ser excessivo, nós demonstramos que nossos dedos estão no gatilho e não hesitamos em dar uma resposta. Já o líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, declarou na quinta-feira que, apesar de ter aprovado o acordo, tem divergências em relação ao documento. Ele afirmou que futuras negociações presenciais com os Estados Unidos não significam aceitar a posição americana e disse que autorizou o entendimento com base no compromisso assumido por autoridades iranianas de proteger os interesses do país. No mesmo dia, o premier de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que “a luta não terminou”. Ele, que não comentou diretamente o acordo, pediu para preservar a “relação vital” com os EUA, mas, ao mesmo tempo, reafirmou que as forças israelenses permanecerão no sul do Líbano “enquanto as necessidades de segurança exigirem”. O vice americano, por sua vez, fez um apelo para que o governo israelense “tome consciência da realidade”. — Se eu estivesse no governo israelense, talvez não atacasse o único aliado poderoso que me resta no planeta — disse Vance. Enquanto isso, o tráfego começou a ser retomado no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global de petróleo que foi afetada durante o conflito. Segundo JD Vance, as forças americanas permitiram a passagem de mais de uma dezena de embarcações. Trump celebrou a queda dos preços internacionais do petróleo e classificou o movimento como um resultado positivo do acordo alcançado. — A única forma de eu me mostrar mais duro seria se eu entrasse lá por mais duas ou três semanas e continuasse os bombardeando sem piedade. Certo? Mas o que ganhamos com isso? O Estreito de Ormuz não seria reaberto — disse o presidente. (Com AFP)