Acordo interino firmado entre Washington e a República Islâmica exige que ambos os países e seus aliados interrompam as operações militares em todas as frentes, inclusive no território libanês Familiares das vítimas de um ataque israelense em Barish reagem em frente ao Hospital Jabal Amel em Tiro, Líbano , em 20 de junho de 2026 — Foto: REUTERS/Zohra Bensemra Ataques israelenses mataram pelo menos 16 pessoas no Líbano neste sábado (20), horas depois de uma trégua entrar em vigor. Israel afirmou que reagia a ataques do Hezbollah, enquanto o grupo apoiado pelo Irã declarou que não permitirá que Israel tenha "liberdade de movimento" no Líbano. O Hezbollah afirmou neste sábado que, embora esteja comprometido com um cessar-fogo, não hesitará em enfrentar qualquer tentativa de Israel de tomar território no Líbano. O grupo apoiado por Teerã acrescentou, em comunicado, que atacou tropas israelenses que haviam avançado durante a noite em direção a uma área próxima a Nabatiyeh, no sul do território libanês. Em seguida, as Forças Armadas de Israel afirmam que o Hezbollah lançou mais de 50 projéteis contra suas tropas no sul do Líbano durante a noite e também enfatizaram que, embora continuem comprometidas com o acordo de cessar-fogo, seguirão atuando contra qualquer ameaça a Israel ou às suas tropas. A interrupção dos combates no Líbano é uma condição para o início de 60 dias de negociações entre EUA e Irã com o objetivo de resolver disputas sobre o programa nuclear iraniano e outras questões delicadas, consideradas fundamentais para a construção de um acordo mais duradouro que permita a reabertura do Estreito de Ormuz e a estabilização da oferta global de petróleo. Ainda não está claro quando essas negociações poderão começar. O acordo interino firmado entre Washington e a República Islâmica na quarta-feira exige que ambos os países e seus aliados interrompam as operações militares em todas as frentes, inclusive no Líbano. Mas Israel, que ficou de fora das negociações, afirma que não é parte do acordo e manterá suas tropas nos cerca de 5% do território libanês que ocupa atualmente. Uma autoridade dos EUA havia informado que a trégua entrou em vigor às 16h (10h no horário de Brasília) de sexta-feira, e fontes israelenses e do Hezbollah confirmaram o acordo à Reuters. Mais cedo, a agência estatal libanesa NNA informou que aviões de guerra e drones israelenses atingiram diversos locais no sul do Líbano e no Vale do Bekaa, ambos redutos do Hezbollah, neste sábado. O Líbano foi arrastado para a guerra regional quando o Hezbollah atacou Israel após o início da guerra de Israel e de seu aliado, os Estados Unidos, contra o Irã. Israel, por sua vez, respondeu com uma ofensiva contra a milícia xiita, que incluiu a invasão do sul do Líbano. Um dos ataques israelenses mais letais deste sábado atingiu um prédio residencial de três andares na cidade de Barish, no distrito de Tiro, matando um pai, uma mãe e seus dois filhos, segundo uma autoridade local. O Exército libanês informou que um ataque israelense também matou um soldado na estrada entre Kfarrumman e Nabatieh. A porta-voz militar israelense para a língua árabe afirmou que a calma e a estabilidade poderiam ser alcançadas se o Hezbollah encerrasse o que descreveu como atividades hostis e violações de acordos. Ela disse que a presença de Israel no Líbano tem como objetivo eliminar ameaças e desmantelar a infraestrutura do Hezbollah, e não prejudicar civis libaneses. O Ministério da Saúde do Líbano afirma que 3.912 pessoas foram mortas em ataques israelenses desde 2 de março, incluindo profissionais de saúde, mulheres e crianças. Israel afirma que ao menos 32 soldados israelenses e quatro civis morreram. Fumaça sobe do sul do Líbano após um ataque israelense, vista de Nabatieh, Líbano , 20 de junho de 2026. — Foto: REUTERS/Stringer Perspectiva de negociações entre Irã e Eua é incerta Enquanto os combates prosseguiam, permanecia incerto se negociações substanciais começariam em breve entre Estados Unidos e Irã para transformar o pacto interino de 14 pontos firmado nesta semana em um acordo duradouro para encerrar a guerra iniciada por EUA e Israel em 28 de fevereiro. Mohsin Naqvi, ministro do Interior do Paquistão, país que vem mediando o conflito, estava em Teerã para conversas com o chanceler Abbas Araqchi, informou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, segundo a agência iraniana ISNA. O vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, cancelou nesta semana planos de viajar à Suíça para negociações com o Irã, que Berna afirma estar pronta para facilitar, à medida que aumentavam as tensões entre Israel e o Hezbollah. A Casa Branca não confirmou relatos de que o enviado do presidente Donald Trump, Steve Witkoff, e o genro de Trump, Jared Kushner, ainda planejam se reunir com autoridades iranianas na Suíça. Na sexta-feira, autoridades suíças se reuniram com representantes do Catar, que também apoia as negociações, no resort montanhoso de Bürgenstock, próximo a Lucerna. A guerra contra o Irã já matou pelo menos 8 mil pessoas, principalmente no Irã e no Líbano. O conflito elevou os preços da energia, alimentando a inflação em todo o mundo. O acordo interino prevê alívio das sanções econômicas impostas ao Irã, o desbloqueio de ativos no valor de dezenas de bilhões de dólares e a concessão imediata, pelos EUA, de isenções para as exportações iranianas de petróleo. Também prevê um fundo de reconstrução de US$ 300 bilhões para o Irã e outros incentivos financeiros. Trump voltou a defender o acordo após críticas em Washington, inclusive de aliados republicanos no Congresso que questionam se ele fez concessões excessivas para encerrar uma guerra impopular para a maioria dos norte-americanos às vésperas das eleições legislativas de novembro. "A guerra enfraqueceu o Irã!", escreveu Trump nas redes sociais na sexta-feira, acrescentando: "Nós não nos reunimos por desespero, o Irã sim. Eles estão ACABADOS! Vamos cumprir os 60 dias. Eles não receberão dinheiro, nem 10 centavos!".
Ataques de Israel matam 16 no Líbano após trégua; negociação entre EUA e Irã permanece incerta
Acordo interino firmado entre Washington e a República Islâmica exige que ambos os países e seus aliados interrompam as operações militares em todas as frentes, inclusive no território libanês
Ataques israelenses mataram 16 pessoas no Líbano após início da trégua; Israel reage a lançamentos do Hezbollah. Trégua abilita 60 dias negociações sobre nuclear iraniano e estabilização petróleo, com efeitos em inflação e custos IT.













