Há relatos de 18 mortos em ataques israelenses; Netanyahu prometeu nesta sexta-feira 'cobrar um preço muito alto' do Hezbollah pela morte dos quatro soldados Uma mulher que retorna à sua aldeia após ser deslocada pela guerra segura uma caixa resgatada da casa de sua vizinha, destruída por um ataque israelense, em Qlaileh, distrito de Tiro, sul do Líbano , 19 de junho de 2026 — Foto: REUTERS/Zohra Bensemra Os combates se intensificaram fortemente entre Israel e o Hezbollah no sul do Líbano durante a madrugada, com relatos de mais de 18 mortos em ataques israelenses e quatro soldados israelenses mortos em uma das ofensivas mais letais do grupo apoiado pelo Irã desde o início desta guerra. A violência não dava sinais de arrefecimento, enquanto o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, prometeu nesta sexta-feira “cobrar um preço muito alto” do Hezbollah pela morte dos quatro soldados. Paris instou Washington a pressionar Israel a interromper as hostilidades no Líbano, onde a escalada da violência colocou sob pressão um acordo provisório entre Estados Unidos e Irã destinado a interromper a guerra mais ampla no Oriente Médio. O acordo exige que EUA, Irã e seus aliados declarem a cessação imediata e permanente das operações militares em todas as frentes, incluindo o Líbano. A violência diminuiu significativamente no início desta semana, mas voltou a se intensificar desde então. Katz diz que forças israelenses permanecerão no sul do Líbano A liderança israelense prometeu manter a ocupação do Líbano, desafiando o acordo entre EUA e Irã, que prevê o respeito à soberania libanesa. Em comunicado nesta sexta-feira, o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou que as forças israelenses permanecerão no sul do Líbano “da costa do Mediterrâneo até as alturas de Beaufort”. Em entrevista à televisão israelense, Katz acrescentou que o principal objetivo militar era manter o controle territorial. Ele afirmou que as Forças Armadas israelenses estão destruindo vilarejos nas áreas ocupadas e que jamais permitirão o retorno dos moradores às suas casas. “Os 200 mil moradores que viviam na zona de segurança não vão voltar. Nenhum deles vai voltar”, disse Katz. O Ministério da Saúde do Líbano informou que 18 pessoas morreram e 33 ficaram feridas em intensos bombardeios aéreos em 11 cidades desde a meia-noite, acrescentando que os ataques estavam dificultando as operações de resgate e evacuação. Segundo a pasta, o número de vítimas deve aumentar. Em uma das localidades atingidas — o vilarejo de Harouf, a nordeste da cidade de Tiro — sete pessoas morreram e acredita-se que muitas outras estejam sob os escombros, disseram fontes do Ministério da Saúde à Reuters. Israel afirmou ter realizado ataques contra o que descreveu como integrantes e infraestrutura do Hezbollah em várias áreas do sul do Líbano, dizendo que a ação foi uma resposta a repetidas violações do cessar-fogo pelo grupo apoiado pelo Irã. O Hezbollah negou ter violado o cessar-fogo e acusou Israel de descumprir repetidamente seus termos, incluindo os do acordo entre EUA e Irã. Em comunicado, o grupo acusou as forças israelenses de realizar ataques que mataram civis, destruíram casas e infraestrutura e mantiveram incursões terrestres em partes do sul do Líbano. A agência estatal libanesa NNA informou que houve um grande deslocamento de moradores dos distritos de Tiro e Bint Jbeil, no sul do país, que fugiram para o norte em meio à intensificação dos ataques israelenses. Os combates mais intensos durante a madrugada concentraram-se numa área ao norte do rio Litani conhecida como colina Ali al-Taher — uma posição elevada estrategicamente importante para o Hezbollah, para a qual as forças israelenses tentavam avançar, segundo uma fonte de segurança libanesa de alto escalão. O Hezbollah afirmou que seus combatentes emboscaram uma força israelense que avançava nas proximidades da colina, destruindo três tanques Merkava com mísseis guiados e atacando soldados com foguetes e artilharia. O grupo disse ainda que posteriormente atacou forças israelenses que tentavam entrar na área para retirar vítimas. As Forças Armadas israelenses informaram que quatro soldados morreram em um incidente no Líbano, sem fornecer mais detalhes. Veículos militares israelenses trafegam em uma estrada israelense perto da fronteira entre Israel e Líbano , no norte de Israel, em 18 de junho de 2026 — Foto: REUTERS/Gil Eliyahu Hezbollah usa drones explosivos em ataques O Líbano foi arrastado para a guerra regional quando o Hezbollah abriu fogo contra Israel em 2 de março, levando Israel a lançar uma grande ofensiva contra o grupo e invadir o sul do país. Israel rejeitou os apelos para retirar suas tropas do sul do Líbano, onde suas forças ocupam uma zona de segurança autodeclarada. Segundo Israel, a medida busca proteger o norte do país de ataques do Hezbollah. As tropas israelenses vêm destruindo vilarejos no sul do Líbano, onde afirmam que o grupo está entrincheirado. Na quarta-feira, Israel divulgou um mapa mostrando uma ampliação da área sob controle militar no sul do Líbano e afirmou que não descartava realizar ataques além dela. O Hezbollah continuou lançando ataques contra posições israelenses no sul do país nesta semana, inclusive com drones explosivos que mataram e feriram soldados. O Ministério da Saúde do Líbano registrou 3.912 mortos no país em decorrência dos ataques israelenses desde 2 de março, incluindo 746 profissionais de saúde, mulheres e crianças. Do lado israelense, o número de mortos nesta rodada de hostilidades com o Hezbollah inclui pelo menos 32 soldados e quatro civis. Smotrich pede que Israel abra “as portas do inferno” Autoridades israelenses manifestaram irritação com o pacto entre EUA e Irã, assinado na quarta-feira, afirmando que ele não foi suficientemente longe para responder às preocupações israelenses sobre o programa nuclear iraniano. Os ministros de extrema direita Itamar Ben-Gvir e Bezalel Smotrich, pilares da coalizão de governo israelense, fizeram duros apelos por retaliação depois que as Forças Armadas anunciaram a morte dos quatro soldados. “Para cada lágrima de uma mãe israelense, mil mães libanesas devem chorar. Todo o Líbano deve arder”, escreveu Ben-Gvir em uma publicação no X. Seu aliado Smotrich escreveu que era hora de “abrir as portas do inferno”.
Conflito no Líbano se intensifica, e Israel desafia acordo entre EUA e Irã
Há relatos de 18 mortos em ataques israelenses; Netanyahu prometeu nesta sexta-feira 'cobrar um preço muito alto' do Hezbollah pela morte dos quatro soldados













