0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Fumaça sobe após ataque israelense perto de Aarab Salim, no sul do Líbano; pelo menos 16 pessoas foram mortas em nova ofensiva de Israel — Foto: AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 19/06/2026 - 08:51 Bombardeio de Israel no Líbano interrompe negociações EUA-Irã O bombardeio de Israel ao sul do Líbano resultou na suspensão das negociações de paz entre EUA e Irã, inicialmente agendadas para a Suíça. A principal divergência foi a falta de garantias para o Líbano. Israel se posiciona contra o acordo, enquanto EUA e Irã buscam avançar, enfrentando desafios políticos e econômicos. A guerra afetou a economia global, destacando o controle iraniano sobre o Estreito de Ormuz. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O bombardeio de Israel ao sul do Líbano foi o fator que provocou o revés nas negociações entre Estados Unidos e Irã, levando ao cancelamento da reunião desta sexta-feira, na Suíça, na qual se discutiria detalhes dos termos do acordo entre os dois países. Um dos pontos centrais da negociação era justamente a interrupção dos ataques ao Líbano. Israel não apoia esse acordo. A agenda israelense não é a paz, assim como também não é a do Hezbollah. O Hezbollah existe para confrontar Israel. Já Israel conduz uma campanha de ampliação territorial, como fez em outros momentos, embora o discurso oficial se concentre na defesa. O projeto do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu é se manter no poder, e um ambiente de conflito permanente o favorece politicamente. Para o Irã, o fim da guerra é vantajoso por diversas razões. O país precisa retornar à normalidade e iniciar sua reconstrução. O fechamento do Estreito de Ormuz, seguido pelo bloqueio americano aos navios iranianos, também trouxe consequências econômicas severas ao país, assim como aconteceu no resto do mundo. Os Estados Unidos também têm interesse na paz. A guerra vem cobrando um preço político elevado de Donald Trump em pleno ano eleitoral, atingindo em cheio a popularidade do presidente. Washington e Teerã desejam avançar nas negociações, mas o governo iraniano já deixou claro que não aceitará um acordo que não contemple garantias para o Líbano. Esse foi o principal ponto de tensão para a suspensão do encontro de hoje. Apesar do impasse, houve avanços importantes ao longo da semana. Foram registrados sinais positivos e houve a formalização de compromissos entre as partes. As cotações do dólar e do petróleo continuam oscilando, mas o barril passou a girar em torno de US$ 80, afastando-se da faixa dos US$ 100 observada nos momentos mais críticos do conflito. Ainda não se trata de um retorno aos níveis anteriores à guerra, mas a queda ajuda a aliviar o ambiente econômico internacional e, por consequência, o brasileiro. A mudança de cenário fez surgir, pela primeira vez desde o início da guerra, a discussão sobre a retirada da subvenção aos combustíveis adotada pelo governo brasileiro para mitigar os efeitos do conflito sobre a economia nacional. A medida pode não ser revogada imediatamente, mas já entrou no radar das autoridades, como admitiu o próprio ministro Dario Durigan. Os mercados internacionais encerraram a semana em compasso de espera. Além dos desdobramentos da guerra, investidores avaliam os sinais emitidos pelos bancos centrais no Brasil e no exterior. O cenário não é exatamente pessimista. O cancelamento da reunião na Suíça não representa um retrocesso total, mas funciona como um alerta para algo que sempre esteve evidente: a situação continua extremamente complexa, e qualquer comemoração antecipada sobre o fim da guerra é precipitada. As chances de um acordo aumentaram, mas, ao contrário do futebol, uma guerra não termina quando acaba. Seus efeitos permanecem por muito tempo. Mesmo que Estados Unidos e Irã cheguem a um entendimento sobre todos os pontos, inclusive o programa nuclear iraniano, a normalização da economia global ainda dependerá de vários fatores. Será necessário remover as minas instaladas no Estreito de Ormuz. Os fretes marítimos podem cair, mas dificilmente retornarão aos níveis anteriores ao conflito. Ao longo de pouco mais de três meses de guerra, o mundo consumiu parte significativa de seus estoques de petróleo. Ainda não há clareza sobre o volume disponível atualmente, mas será necessário recompor essas reservas, o que tende a elevar a demanda pela commodity. A situação de sobreoferta que existia antes da guerra desapareceu. Por isso, a normalização econômica deverá levar mais tempo do que o encerramento formal. Mesmo após o fim do conflito, o quadro internacional registra uma piora. O Irã demonstrou que possui uma poderosa ferramenta de pressão sobre a economia mundial: o fechamento do Estreito de Ormuz. Até os ataques americanos iniciados em 28 de fevereiro, essa era uma ameaça recorrente, mas nunca concretizada. O êxito obtido por Teerã ao controlar uma das rotas por onde passa cerca de um quarto da produção mundial de petróleo é um dos efeitos negativos da guerra travada por Donald Trump e Benjamin Netanyahu contra o Irã. A partir de agora, o mercado sabe que essa ameaça deixou de ser apenas teórica.
O que provocou o revés nas negociações de paz entre EUA e Irã
O que provocou o revés nas negociações de paz entre EUA e Irã








