Teerã diz que cessar-fogo deve ser válido 'em todas as frentes'; em sua rede social, líder americano diz que 'ataques vão parar' no Líbano, mas Israel promete manter ações no sul Bombeiros e equipes de resgate trabalham em escombros de prédio atingido por míssil israelense em Tiro, no sul do Líbano — Foto: KAWNAT HAJU / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 01/06/2026 - 19:13 Irã Suspende Negociações com EUA e Ameaça Expansão do Conflito no Oriente Médio O Irã suspendeu negociações com os EUA, alegando que o cessar-fogo deve abranger Gaza e Líbano. Trump afirmou em suas redes sociais que os ataques ao Líbano cessariam, mas Israel continua suas operações no sul. A tensão aumenta com ofensivas no Líbano, onde Israel ocupa parte do território, e o Irã ameaça expandir o conflito para o Estreito de Bab el-Mandeb. A complexidade da situação envolve esforços diplomáticos falhos e risco de ampliação da guerra. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O governo iraniano anunciou nesta segunda-feira a suspensão das conversas com os EUA em torno de um acordo para encerrar a guerra lançada pelo presidente Donald Trump em fevereiro, citando a intensificação dos ataques de Israel no Líbano e também na Faixa de Gaza, onde em tese vigora um cessar-fogo desde o ano passado. Em suas redes sociais, Trump disse ter pedido a israelenses e ao Hezbollah — sem especificar como foi o contato com o grupo — que parassem com os enfrentamentos, mas a proposta tem poucas chances de prosperar. Na rede social X (proibida no Irã), o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, declarou que a trégua firmada com Washington em abril “é inequivocamente um cessar-fogo em todas as frentes, incluindo no Líbano”, e que a violação em uma das frentes vale para todas. Mohammad Bagher-Ghalibaf, presidente do Parlamento e negociador-chefe do Irã, declarou que a ofensiva no Líbano, assim como o bloqueio americano aos portos, “era uma clara evidência do descumprimento americano”. Ao confirmar a suspensão do diálogo com os EUA, a agência Tasnim, ligada à Guarda Revolucionária, expressou o descontentamento com a intensificação dos ataques na Faixa de Gaza — desde o anúncio, em outubro de 2025, de um cessar-fogo, 922 pessoas morreram, segundo autoridades locais. Na semana passada, o premier de Israel, Benjamin Netanyahu, ordenou que militares ocupassem 70% do enclave, em uma violação da trégua. O Hamas, grupo que controla parte de Gaza, é aliado do Irã. Garoto palestino sentado em escombros de prédio atingido por ataque israelense na Faixa de Gaza — Foto: Omar AL-QATTAA / AFP No Truth Social, Trump deu de ombros às ameaças, dizendo que as conversas com “continuam em ritmo acelerado”. No começo do dia, havia declarado à rede NBC que o silêncio seria positivo. — Acho que falamos demais, para dizer a verdade. Acho que ficar em silêncio seria muito bom, e isso poderia durar muito tempo — afirmou Trump, acrescentando que os iranianos são “melhores negociadores do que combatentes”. — Isso não significa que vamos sair por aí lançando bombas por toda parte. Apenas vamos ficar em silêncio. Vamos manter o bloqueio. Acho que posso esperar o tempo que eles quiserem. Neste contexto, o Líbano é o ponto mais sensível. Em resposta, o grupo político-militar recorre a foguetes, mísseis e a uma arma barata, com alto poder destrutivo e que consegue evitar os sistemas de defesa: drones comandados através de um fino cabo de fibra ótica, responsáveis por ações contra tropas e áreas urbanas. Além de explosivos, os veículos transmitem imagens em tempo real, que são usadas como propaganda pelo grupo político-militar. Nesta segunda-feira, Netanyahu e o ministro da Defesa, Israel Katz, ordenaram bombardeios contra Dahiyeh, o distrito ao sul de Beirute que serve como base ao Hezbollah. No comunicado, citam "repetidas e contínuas violações do cessar-fogo no Líbano pela organização terrorista Hezbollah e seus ataques contra nossos civis e cidades", e dizem que "se não houver calma no norte (de Israel), não haverá calma em Beirute". Na semana passada, Bezalel Smotrich, ministro das Finanças, defendeu que “para cada drone que ferir um de nossos soldados, destruam cem edifícios” na capital libanesa. Em uma tentativa de conter a crise, Trump foi às redes sociais dizer que conversou com Netanyahu, que “não haverá tropas a caminho de Beirute”, e surpreendeu ao declarar que teve “uma conversa muito boa com o Hezbollah, e eles concordaram que todos os disparos cessarão”. O grupo figura na lista de organizações terroristas (FTO) do Departamento de Estado desde os anos 1990, e ele não revelou se o diálogo foi direto ou através de intermediários. Ao final da mensagem no Truth Social, Trump prometeu que “Israel não os atacará e que eles (Hezbollah) não atacarão Israel”. Nas primeiras declarações, o Hezbollah afirmou estar de acordo com um "cessar-fogo total em todo o território libanês”, mas o lado israelense sinalizou que suas tropas "continuarão operando conforme planejado no sul do Líbano". Segundo a embaixada do Líbano em Washington, que está a cargo de negociações com Israel, a proposta de Trump diz respeito apenas aos arredores de Beirute. — A maldade dos sionistas no Líbano e em Gaza, sob a sombra do apoio vergonhoso dos Estados Unidos, determinará a determinação do Eixo de Resistência em ampliar o apoio em ambas as frentes, tomar medidas para ativar outras frentes e igualar a situação do tráfego no Estreito de Bab el-Mandeb com o Estreito de Ormuz — afirmou Esmail Ghaani, chefe das Forças Quds, o braço da Guarda Revolucionária para ações no exterior, citado pela Tasnim. Estreitos de Ormuz e Bab el-Mandeb — Foto: Editoria de Arte Citado por Ghaani, o Estreito de Bab el-Mandeb foi cenário de ataques das milícias houthis, aliadas do Irã no Iêmen, em ações associadas à guerra na Faixa de Gaza. Por ali passam cerca de 12% do comércio mundial por via marítima, e interrupções, por mais curtas que sejam, causam impactos em escala global: estimativas revelam que incidentes entre 2023 e 2025 custaram US$ 20 bilhões. Segundo uma análise da rede CNN, publicada nesta segunda-feira, o Irã recuperou o acesso a parte de sua rede subterrânea de bases de mísseis, levantando questões sobre a eficácia dos bombardeios americanos e israelenses. Os dados apontam que as entradas de 50 das 69 instalações atingidas foram reabertas, assim como estradas bloqueadas — em Isfahã, ao menos 18 crateras foram identificadas perto de entradas de bases, e quase todas foram recuperadas. Para especialistas, o país teria centenas de mísseis intactos, prontos para uso caso a guerra recomece. — Eles se prepararam para esse tipo de guerra durante duas décadas. Estão extremamente preparados — ressalta Timur Kadyshev, pesquisador do Instituto para Pesquisa da Paz e Política de Segurança da Universidade de Hamburgo, à CNN. — É necessário empregar armas extremamente sofisticadas e caras para causar esse tipo de dano. Já a recuperação exige tecnologia muito mais simples. São basicamente tratores e escavadeiras.
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