Sem a definição de acordo entre Washington e Teerã, o risco de retomada da guerra total continuará, afirma Guga Chacra em newsletter especial Prédio de Tiro, maior cidade do Sul do Líbano, é explodido por bombardeio de Israel — Foto: Kawant Haju/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 10/06/2026 - 05:18 EUA realizam retaliação calculada contra Irã para evitar guerra total A retaliação dos EUA ao ataque iraniano no Estreito de Ormuz foi calculada para evitar uma escalada do conflito, segundo análise de Guga Chacra. Os bombardeios foram proporcionais e focaram em alvos militares iranianos. Enquanto Trump tenta conter tanto Israel quanto o Irã, a situação no Líbano permanece tensa, com Israel atacando Tiro e o Hezbollah retaliando. A ausência de um acordo entre EUA e Irã mantém o risco de guerra total. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Desde a eclosão da guerra no Irã, Guga Chacra escreve newsletter diária com informações e análises exclusivas. Clique aqui para se inscrever. A resposta dos Estados Unidos ao ataque iraniano que abateu um helicóptero Apache norte-americano na região do Estreito de Ormuz demonstra como Donald Trump não está disposto a escalar o conflito contra o regime de Teerã. Foram bombardeios calibrados e, segundo o Pentágono, proporcionais à ação iraniana. Os alvos teriam sido instalações militares do Irã. Até o momento em que escrevo, não houve uma tréplica das forças iranianas. Aliado e inimigo – O ataque do Irã ocorreu pouco depois de Donald Trump ter advertido, nas redes sociais, tanto o regime de Teerã quanto o governo de Benjamin Netanyahu para que não escalassem o conflito. Conforme escrevi ontem, o presidente dos EUA tem a árdua tarefa de conter seus aliados israelenses e seus inimigos iranianos. Por enquanto, tem conseguido evitar a retomada de uma guerra total, mas não o belicismo de Israel e do Irã. Bombardeios a Tiro – As forças israelenses realizaram fortes bombardeios em Tiro, a maior cidade do Sul do Líbano, com milhares de anos de história, desde a época dos fenícios. Ordenaram, inclusive, a evacuação da região cristã da cidade, que vinha sendo poupada até agora — a maioria dos habitantes de Tiro é cristã. Outras regiões do território libanês também foram atacadas pelos israelenses. O Hezbollah também manteve ataques contra alvos israelenses e um membro do grupo teria tentado se infiltrar em Israel. Incerteza – Não está claro se o ataque iraniano contra o helicóptero Apache teria sido uma retaliação iraniana aos bombardeios de Israel a Tiro. O regime de Teerã não assumiu oficialmente que abateu o helicóptero, embora todas as evidências indiquem mesmo ter sido o Irã, conforme afirmam os EUA. Visões diferentes – O regime de Teerã afirma que há apenas uma guerra: Irã e Hezbollah de um lado; EUA e Israel, do outro. Já o governo de Netanyahu busca separar o conflito no Líbano do conflito no Estreito de Ormuz. Os israelenses consideram necessário derrotar o Hezbollah porque o grupo está na sua fronteira. Seria uma questão para Israel, e não para os EUA, decidirem. Washington – Israel e os EUA avaliam que o conflito no Líbano deve ser resolvido entre autoridades israelenses e libanesas, que vêm negociando em Washington. O problema é que o governo do Líbano, adversário do Hezbollah, não fala em nome do grupo apoiado pelo Irã. Além disso, é o ator fraco da equação, apesar de bem-intencionado e com a receita mais justa para o fim do conflito: o desarmamento do Hezbollah e a desocupação israelense do Sul do Líbano. Hegemônico – Os iranianos não aceitam ceder e pretendem impor as regras em sua nova estratégia de hegemonia regional. Passaram a agir em relação ao Sul do Líbano quase como se fosse seu território, retaliando contra Israel e os EUA. Como Trump quer evitar uma escalada, passou a pressionar Netanyahu a suspender as ações no Líbano, conforme escrevi aqui na segunda-feira. Limbo – Enquanto persistir o limbo, sem a definição de acordo entre EUA e Irã, o risco de escalada continuará. Mais provável, por enquanto, são ações de atrito no Golfo Pérsico, com os dois lados evitando a retomada da guerra total. O cenário é mais complicado no Sul do Líbano, onde as partes envolvidas não estão dispostas a um cessar-fogo real nem a concessões.