Frente de batalha no Líbano se tornou tema central em acerto diplomático entre Washington e Teerã, com iranianos buscando um fim total das hostilidades e israelenses pressionando por 'liberdade operacional' Ataque aéreo israelense atinge a vila de Rmadiyeh, no distrito de Tiro, em 26 de maio — Foto: Kawnat Haju/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 27/05/2026 - 08:40 Conflito Israel-Hezbollah se intensifica em meio a negociações EUA-Irã Israel e Hezbollah intensificam confrontos além do rio Litani, no sul do Líbano, em meio a negociações entre EUA e Irã sobre cessar-fogo. Israel deseja liberdade operacional no Líbano, enquanto o Irã busca um fim das hostilidades. Com Netanyahu expandindo operações, o conflito se torna central nas discussões diplomáticas, destacando a complexidade geopolítica envolvendo o Estreito de Ormuz. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O movimento libanês Hezbollah afirmou nesta quarta-feira que combatentes entraram em confronto com soldados de Israel a norte do rio Litani, em uma zona além do limite estabelecido pelos próprios militares do Estado judeu como área operacional. O Exército israelense intensificou os ataques contra o Líbano em um momento em que negociadores de EUA e Irã discutem se a frente de guerra deve ser incluída em um acordo para encerrar o conflito regional que bloqueia o Estreito de Ormuz — algo que a liderança israelense rejeita, tentando desvincular as duas questões. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, instruiu na terça-feira que os militares expandissem as operações para além da zona-tampão estabelecida no sul do Líbano. Inicialmente, o Estado judeu anunciou como objetivo tornar toda a área entre a fronteira e o rio Litani (a cerca de 30 Km, em média) em zona livre do Hezbollah. O corpo d'água é um marco tradicional nos acordos envolvendo Líbano, Israel e Hezbollah, tendo sido usado em acordos anteriores para estabelecer zonas de atuação da ONU, áreas sem atividade militar e etc. A al-Manar TV, emissora pertencente ao movimento libanês, transmitiu um comunicado do grupo sobre confrontos "à queima-roupa" com as tropas israelenses na cidade de Zawtar al-Sharqiyah, a cerca de um quilômetro e meio ao norte do rio. As Forças Armadas do Estado judeu também promoveram novos bombardeios contra o sul de Israel, com um novo alerta de retirada sendo emitido para a população civil em Nabatieh, uma das maiores zonas urbanas do sul do país. A instrução foi para que os civis se deslocassem para norte do rio Zahrani. Um dia antes, os militares afirmaram ter atacado mais de 100 alvos do Hezbollah, incluindo centros de comando e depósitos de armas. O Ministério da Saúde libanês indicou que 31 pessoas morreram, incluindo quatro menores de idade. Fontes militares israelenses ouvidas em condição de anonimato pelo New York Times afirmaram que as tropas estavam operando à frente da "linha de defesa avançada", referindo-se a área ocupada por Israel desde a retomada do conflito neste ano. Ainda na terça, Netanyahu havia dito que um grande contingente havia sido mobilizado para capturar território adicional no país. Questão iraniana A frente de guerra no Líbano é encarada por Israel como uma extensão dos combates iniciados em 7 de outubro de 2023, quando o grupo terrorista Hamas atacou a partir da Faixa de Gaza. Em meio à resposta no enclave, que estimativas apontam ter matado cerca de 75 mil pessoas, deslocado quase toda a população e dizimado a infraestrutura do território, o governo Netanyahu prometeu acabar com a ameaça do "Eixo da Resistência", uma aliança de movimentos armados sob influência do Irã, do qual o Hezbollah faz parte. No atual momento do conflito, porém, o governo israelense tem atuado para desvincular as questões que envolvem as diferentes frentes de guerra. Em meio às negociações entre EUA e Irã para firmar um acordo decisivo de paz, que reabra o Estreito de Ormuz e encerre as hostilidades, o Estado judeu pediu a Washington que não aceitasse a exigência de Teerã de incluir o Líbano no cessar-fogo. Fontes informadas sobre as negociações, ouvidas pelo jornal americano Wall Street Journal afirmaram que o governo israelense pressiona para que os EUA incluam no acordo a liberdade de operação no Líbano — o oposto da demanda iraniana, que pleiteia um cessar-fogo regional. (Com NYT e AFP)