Acordo entre EUA e Irã deve dar nova forma aos confrontos no sul do Líbano, afirma Guga Chacra em newsletter especial 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Homem observa destruição de Nabatiye, no Líbano: ocupação israelense deve prosseguir mesmo com cessar-fogo entre EUA e Irã — Foto: Mahmoud Zayyat/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 17/06/2026 - 06:57 Conflito entre Israel e Hezbollah persiste após cessar-fogo mediado O conflito entre Israel e Hezbollah deve continuar, apesar do cessar-fogo mediado entre EUA e Irã, segundo Guga Chacra. As novas regras de engajamento visam evitar o colapso das negociações, com combates limitados ao sul do Líbano. Israel e Hezbollah mantêm suas posições, sem concessões. Esse cenário enfraquece o governo libanês, que não vê suas demandas atendidas, enquanto o Hezbollah pode ganhar força política. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Desde a eclosão da guerra no Irã, Guga Chacra escreve newsletter diária com informações e análises exclusivas. Clique aqui para se inscrever. O conflito entre Israel e o Hezbollah não deve acabar, apesar do acordo de cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã englobar os combates no Líbano. O mais provável é que haja novas regras de engajamento entre os dois lados para evitar o colapso das negociações entre Washington e Teerã. Seria uma forma em que todos os envolvidos poderiam supostamente dizer que não fizeram concessões. Divergência – Antes de prosseguir, conforme escrevi ontem, os governos de Donald Trump e de Benjamin Netanyahu estão em uma clara rota de colisão. O acordo de cessar-fogo interessa aos EUA, mas não a Israel. Apesar da aliança, os dois países estão em situações diferentes neste momento. Israel vê o Hezbollah como uma ameaça, e tanto o governo Netanyahu quanto seus opositores preferem continuar os combates. Já os EUA não se sentem ameaçados pelo grupo e desejam a estabilidade na região depois do fracasso na guerra. Diferença – As tréguas decorrentes das conversas entre os governos de Israel e do Líbano nunca foram respeitadas pelos israelenses nem pelo Hezbollah, que não fez parte das negociações e é adversário político do atual governo libanês. Essas tréguas foram anunciadas apenas para agradar a Trump. Desta vez, no entanto, é diferente porque o cessar-fogo, incluindo o Líbano, resulta de negociações entre Washington e Teerã. Tanto Trump quanto a junta militar iraniana querem a implementação. Presente e futuro – Mas, então, como o conflito continuará? Primeiro, porque o Hezbollah segue armado e Israel segue ocupando o sul do Líbano. Escrevi no presente, mas poderia ser no futuro: o Hezbollah seguirá armado e Israel seguirá no sul do Líbano. É improvável que um dos lados aceite fazer concessões. Nenhum dos dois está próximo de ser derrotado — vale lembrar que Israel fracassou na tentativa de desarmar o bem mais frágil Hamas, mesmo depois de destruir a Faixa de Gaza. Novas regras – O que devem mudar são as regras. O conflito tende a ficar contido no sul do Líbano, em áreas ocupadas por Israel. Basicamente, os israelenses poderiam atacar o Hezbollah na área ao sul do rio Litani e o grupo apoiado pelo Irã poderia atacar forças de ocupação israelenses nesta região. Mas Israel não poderia bombardear outros locais do Líbano, como Dahieh, no subúrbio de Beirute, e o Hezbollah não poderia bombardear o norte do território israelense. Volta ao passado – Basicamente, o cenário ficaria parecido com o das décadas de 1980 e 1990, quando Israel também ocupava o sul do Líbano — o Hezbollah surgiu durante essa ocupação. Mas há diferenças. Conforme expliquei aqui no passado, os israelenses tinham uma milícia libanesa aliada na região chamada Exército do Sul do Líbano. Agora, não têm. Além disso, não houve a destruição de dezenas de vilarejos e a expulsão de centenas de milhares de libaneses como agora. Enfraquecido – O governo libanês fica enfraquecido nesse cenário porque nenhuma de suas demandas será atendida: Israel não desocupará o sul do país e o Hezbollah não irá se desarmar. Para complicar, o grupo, empoderado, talvez atue para sabotar o governo do premier Nawaf Salam e do presidente Joseph Aoun. Não é mais a organização que ficou fragilizada depois da derrota para Israel na guerra desde 2024.