Acordo preliminar para encerrar a guerra com Irã prevê o fim dos combates em todas as frentes, inclusive no território libanês, e determina que as partes garantam 'a integridade territorial e a soberania' libanesa Um mapa publicado pelo exército israelense ( IDF ) indica a zona de segurança em que os soldados do IDF estão operando no sul do Líbano, nesta ilustração obtida pela Reuters em 18 de junho de 2026 — Foto: Forças de Defesa de Israel/Divulgação via Reuters As Forças Armadas de Israel divulgaram nesta quinta-feira (18) um mapa mostrando uma ampliação da área sob controle de suas tropas no sul do Líbano, enquanto autoridades israelenses disseram à Reuters que Israel está negociando com os Estados Unidos a continuidade de seu destacamento militar no país. Um acordo provisório assinado na quarta-feira para encerrar a guerra entre EUA, Israel e Irã prevê o fim dos combates em todas as frentes, inclusive no Líbano, e determina que as partes garantam "a integridade territorial e a soberania do Líbano". Israel rejeitou os apelos para retirar suas tropas do sul do Líbano, região que invadiu em março em resposta a disparos de foguetes do Hezbollah, grupo armado apoiado pelo Irã. Os ataques israelenses e a destruição de vilarejos deixaram milhares de mortos e desencadearam uma crise de deslocamento populacional. O Hezbollah continuou lançando ataques contra posições israelenses no sul do país nesta semana, inclusive com drones carregados de explosivos que mataram e feriram soldados. Duas autoridades israelenses, incluindo uma autoridade de alto escalão próxima ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, disseram que Israel está negociando com Washington a manutenção de suas tropas no sul do Líbano. A autoridade de alto escalão descreveu essas negociações como "obstinadas". As Forças Armadas, que em abril haviam divulgado um mapa delimitando sua chamada zona de segurança no sul do Líbano, publicaram um novo mapa mostrando que suas tropas estão operando vários quilômetros mais ao norte, inclusive nas proximidades de Nabatieh, reduto do Hezbollah situado ao norte do rio Litani. As tropas israelenses já operavam em algumas dessas áreas há várias semanas, mas os militares ainda não haviam divulgado um mapa que mostrasse a expansão da zona sob seu controle. No mapa divulgado nesta quinta-feira, os militares descreveram o território, marcado em vermelho-escuro, como: "A zona de segurança na qual soldados das Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) estão operando no sul do Líbano". Uma faixa com a imagem do falecido líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, está pendurada em um prédio destruído em Jibchit, distrito de Nabatieh, Líbano, em 16 de junho de 2026, após um acordo entre os Estados Unidos e o Irã — Foto: REUTERS/Stringer Acordo com Irã expõe tensões entre Netanyahu e Trump Benjamin Netanyahu e Donald Trump têm entrado repetidamente em choque nas últimas semanas, à medida que o presidente americano tenta se desvincular da guerra contra o Irã, que lançou em conjunto com seu aliado israelense de longa data. Autoridades israelenses manifestaram irritação com o pacto entre Estados Unidos e Irã, assinado na quarta-feira, afirmando que ele não avançou o suficiente para responder às preocupações israelenses sobre o programa nuclear iraniano e que restringirá as operações militares israelenses no Líbano. Trump não esconde sua frustração com Netanyahu e criticou as ações militares de Israel no Líbano, afirmando que não era necessário bombardear prédios residenciais inteiros para perseguir combatentes do Hezbollah. As duas autoridades israelenses, que falaram sob condição de anonimato devido à sensibilidade das negociações com Washington, disseram que Israel não recuará de sua posição de manter tropas destacadas no Líbano. Uma delas afirmou que o resultado das negociações dependerá, em última instância, de Trump "decidir forçar a questão", ameaçando impor consequências caso Israel não cumpra os termos do acordo provisório. Não há, até o momento, sinais de que as críticas de Trump se traduzirão em medidas concretas — como reter ajuda militar ou retardar o envio de armamentos — que possam obrigar Israel a rever suas táticas militares. Israel descreve os territórios que ocupou no Líbano, em Gaza e na Síria como "zonas de segurança" entre o país e seus inimigos, um elemento central de sua política de segurança recente. O acordo relacionado à guerra com o Irã parece ter deixado alguma "margem de manobra" para Israel, disse Jonathan Rynhold, pesquisador sênior da Universidade Bar-Ilan, em Israel. "A referência à integridade territorial e à soberania do Líbano certamente implica que Israel terá de se retirar", afirmou. "No entanto, também implica que o Hezbollah não deve poder manter armas, porque isso representa uma ameaça à soberania do governo libanês." Trump e Netanyahu em abril de 2025 em Washington — Foto: AP Foto/Mark Schiefelbein, Archivo