O Hezbollah, movimento aliado do Irã, rejeitou nesta quinta-feira (4) um novo cessar-fogo no Líbano, enquanto Israel afirmou que não retirará suas tropas do país, minando os esforços do presidente dos EUA, Donald Trump, para interromper os combates e avançar rumo a um acordo de paz com Teerã. O Irã condicionou qualquer acordo de paz com Washington à implementação de um cessar-fogo no Líbano e, nos últimos dias, sugeriu que poderia intervir diretamente em apoio ao Hezbollah caso Israel mantenha ou intensifique seus ataques no país. O presidente do Líbano, Joseph Aoun, afirmou que o cessar-fogo entrará em vigor dentro de 24 horas após a aprovação de todas as partes envolvidas. No entanto, o líder do Hezbollah, Naim Qassem, rejeitou a declaração anunciada em Washington e insistiu que "a resistência continuará". Não houve resposta imediata de Israel, do Líbano ou dos Estados Unidos às declarações de Qassem. O Hezbollah não participa diretamente do acordo mediado pelos EUA entre Israel e o governo libanês, firmado na quarta-feira, mas seria obrigado a interromper seus ataques. Israel manteve os bombardeios no sul do Líbano nesta quinta-feira, e o ministro da Defesa, Israel Katz, afirmou que as forças israelenses não deixarão a região nem interromperão suas operações no país, invadido em março paralelamente à guerra contra o Irã. O comandante da Força Quds da Guarda Revolucionária iraniana — responsável pela criação do Hezbollah em 1982 — afirmou que "a exigência mínima da resistência" é a retirada de Israel para as posições que ocupava antes do início da guerra. As hostilidades entre Hezbollah e Israel foram retomadas em 2 de março, quando o grupo abriu fogo em apoio a Teerã durante os ataques conduzidos por Estados Unidos e Israel contra o Irã. O conflito prosseguiu apesar de vários cessar-fogos anunciados por Washington desde abril. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, falou na Oficina Oval da Casa Blanca, no aniversário de 3 de junho de 2026 em Washington. — Foto: AP/Alex Brandon Escalada no Golfo A tentativa de alcançar um cessar-fogo no Líbano ocorre após uma nova escalada de violência na região, que colocou em risco os esforços de Trump para encerrar a guerra. Forças iranianas e americanas trocaram ataques no Golfo na quarta-feira, em um dos episódios mais intensos desde que a trégua separada interrompeu os bombardeios em larga escala de EUA e Israel contra o Irã no início de abril. Segundo autoridades, forças iranianas atingiram o Kuwait, danificando o aeroporto do país e ferindo dezenas de pessoas. Ao mesmo tempo, os militares dos EUA realizaram ataques nas proximidades do Estreito de Ormuz. O estreito, por onde normalmente passa cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados globalmente, permanece em grande parte fechado mais de três meses após o início dos ataques de EUA e Israel ao Irã. Os preços do petróleo caíram cerca de 3% nesta quinta-feira diante das expectativas de que um cessar-fogo no Líbano possa abrir caminho para uma solução diplomática entre Washington e Teerã. Trump, pressionado internamente para encerrar a guerra e reduzir os preços dos combustíveis, sugeriu que poderá haver avanços nas negociações com o Irã em breve. "Se acontecer, pode acontecer neste fim de semana", disse Trump a jornalistas no Salão Oval da Casa Branca na quarta-feira, sem detalhar o que espera que ocorra nesse prazo. O presidente afirmou ainda que as partes estão tentando desvincular a questão da reabertura do Estreito de Ormuz do conflito no Líbano. Militares americanos atacam navio nas proximidades do Estreito de Ormuz — Foto: Reprodução/X Irã nega ter atacado aeroporto do Kuwait Os ataques de quarta-feira ao Kuwait danificaram instalações aeroportuárias e missões diplomáticas, matando uma pessoa e ferindo mais de 60, segundo autoridades e a mídia estatal kuwaitiana. A Guarda Revolucionária iraniana afirmou não ter atacado o aeroporto do Kuwait e atribuiu os danos a mísseis interceptadores dos EUA que não atingiram seus alvos, segundo a mídia estatal iraniana. Os militares americanos disseram que drones iranianos miraram deliberadamente o aeroporto. A imprensa iraniana informou ainda que a Guarda Revolucionária atacou o quartel-general da Quinta Frota dos EUA no Bahrein e uma base aérea americana. O Comando Central dos EUA (Centcom) negou que suas instalações tenham sido atingidas e afirmou que os mísseis balísticos iranianos não alcançaram seus alvos. O Centcom informou ter realizado uma nova rodada de "ataques defensivos" no sul do Irã, atingindo lançadores de mísseis e embarcações iranianas que tentavam instalar minas marítimas. Também realizou ataques na ilha de Qeshm, próxima ao Estreito de Ormuz, após tentativas de ações ofensivas iranianas. Detritos espalhados pelo chão enquanto o fogo arde ao fundo, após ataques iranianos, segundo o Ministério das Relações Exteriores, no Aeroporto Internacional do Kuwait , na Cidade do Kuwait — Foto: Reprodução/X Teerã estabelece condições para a paz Na semana passada, Irã e Estados Unidos sinalizaram avanços rumo a um acordo preliminar para interromper a guerra e reabrir o Estreito de Ormuz. No entanto, as duas partes ainda não formalizaram o entendimento, que deixaria negociações mais complexas para uma etapa posterior. O líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, afirmou nesta quinta-feira que os inimigos do país já foram derrotados no campo de batalha e agora tentam semear divisões internas. Khamenei não aparece em público desde que sucedeu seu pai, morto em um ataque aéreo no início da guerra. Além de exigir o fim dos combates no Líbano, Teerã quer acesso a bilhões de dólares em receitas do petróleo, isenções de sanções sobre exportações de petróleo bruto, o fim do bloqueio americano a seus portos e influência sobre o Estreito de Ormuz. Trump afirma que sua principal prioridade é impedir que o Irã obtenha armas nucleares. Teerã sustenta que seu programa nuclear tem fins exclusivamente pacíficos. Vista aérea de embarcações ancoradas no Estreito de Ormuz , a partir de Musandam, Omã, em 3 de junho de 2026. — Foto: REUTERS/Stringer
Hezbollah rejeita trégua no Líbano e lança dúvidas sobre possível fim da guerra no Irã
Teerã condicionou qualquer acordo de paz com Washington à implementação de um cessar-fogo no território libanês











