Representantes do Irã interromperam as negociações com os Estados Unidos por meio de mediadores devido aos ataques de Israel contra o Hezbollah, apoiado por Teerã, no Líbano. A informação foi divulgada nesta segunda-feira pela agência estatal iraniana Tasnim. Segundo a Tasnim, que é próxima à Guarda Revolucionária, o Irã e a chamada "Frente de Resistência" - que inclui aliados xiitas de Teerã no Iêmen, Líbano e Iraque – também definiram uma agenda para bloquear o Estreito de Ormuz e ativar outras frentes de combate, como o Estreito de Bab el-Mandeb, com o objetivo de "punir" Israel e seus apoiadores. "A cessação imediata das operações agressivas e brutais do Exército do regime sionista [Israel] em Gaza e no Líbano, bem como a necessidade da retirada completa do regime das áreas ocupadas no Líbano, foram enfatizadas por autoridades e negociadores iranianos. E não haverá negociações até que as posições do Irã e da resistência sobre essa questão sejam atendidas", disse a agência estatal. Caso os houthis, aliados de Teerã no Iêmen, estabeleçam uma nova frente de conflito, o Estreito de Bab el-Mandeb, na costa iemenita, seria um alvo evidente. Trata-se de outro importante gargalo do transporte marítimo global e uma passagem estratégica para o tráfego de navios que cruzarão posteriormente o Canal de Suez, no Egito. A notícia sobre a suspensão do diálogo foi divulgada pouco depois de o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, ter afirmado que o cessar-fogo em vigor entre Teerã e Washington incluía todas as frentes do conflito, inclusive o Líbano. "Uma violação em uma frente é uma violação em todas as frentes. Os Estados Unidos e Israel são responsáveis pelas consequências de qualquer violação", escreveu Araqchi em uma publicação na rede social X. Mais cedo, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ordenou novos ataques contra subúrbios no sul de Beirute controlados pelo Hezbollah, apesar da frágil trégua em vigor entre Israel e Líbano desde meados de abril. Ontem, o Exército de Israel anunciou a captura do castelo de Beaufort, de 900 anos, localizado no sul do território libanês, em um movimento que representou mais um avanço na ofensiva contra o grupo militante libanês. Uma autoridade americana informou no domingo que o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, conversou tanto com o presidente libanês, Joseph Aoun, quanto com Netanyahu e propôs um plano para permitir uma desescalada gradual do conflito. Como primeiro passo, o Hezbollah interromperia todos os ataques contra Israel e, em troca, Israel se comprometeria a não ampliar as ofensivas em Beirute, segundo a autoridade. A mesma fonte acrescentou que Aoun tentou avançar com a proposta e obter um acordo. No entanto, o presidente do Parlamento libanês, Nabih Berri, que afirma poder “garantir” o compromisso do Hezbollah com um cessar-fogo, transferiu para Israel a responsabilidade de parar de “atirar primeiro”. A suspensão das negociações também ocorre após uma nova onda de hostilidades entre Washington e Teerã. No fim de semana, os EUA disseram ter atacado instalações militares iranianas e abatido drones lançados pela Guarda Revolucionária do Irã contra uma base americana no Kuwait, que Teerã disse ter sido uma resposta às ações do governo de Donald Trump. Em uma publicação nas redes sociais no final da noite de ontem, Trump não citou os ataques mútuos, repetindo a afirmação de que o Irã quer fechar um acordo com os EUA. "Apenas relaxem, tudo vai dar certo no final - sempre dá!", disse ele na Truth Social. Israel lança novos ataques contra o sul do Líbano — Foto: Reuters
Irã interrompe negociações com os EUA após ataques de Israel ao Líbano, diz agência estatal
Agência iraniana Tasnim informou que equipe de negociação deixou de trocar mensagens com os americanos por meio de mediadores e cobra fim das hostilidades contra o Hezbollah











