Ministro de Minas e Energia defendeu leilão que contratou usinas termelétricas"Posso afirmar que isso nos dará segurança energética para a próxima década", disse Alexandre Silveira no dia da realização do leilão. Crédito: Repordução Youtube Ministério de Minas e EnergiaGerando resumoRIO - Em dia decisivo para a homologação do Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP) 2026, a Petrobras saiu em defesa do certame para evitar que o País passe novamente por apagões. Em entrevista ao Estadão/Broadcast, o gerente executivo de Gás e Energia da estatal, Álvaro Tupiassu, afirmou que é necessária a expansão da capacidade térmica nos próximos anos para atender os picos de potência no sistema elétrico brasileiro.PUBLICIDADEA Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) tem até esta segunda-feira, 1º, para responder a questionamentos sobre LRCAP ao Tribunal de Contas da União (TCU), depois que o leilão, realizado em março, foi questionado na Justiça por entidades setoriais. Apesar de parte do leilão já ter sido homologado, os contratos ainda não foram assinados, ressaltou Tupiassu, que teme que liminares atrapalhem o processo.“Alguns já foram homologados, conforme o calendário, mas é necessário ainda que haja a efetiva assinatura. E lembrando que no dia 1º de agosto é logo ali”, disse, em relação ao início da vigência dos primeiros contratos do leilão.A Petrobras contratou nove usinas térmicas a gás natural no leilão, para entrada em 2026, 2027, 2028 e 2031 Foto: Geraldo Falcão/PetrobrasO executivo destacou que a expansão da capacidade térmica contratada para os próximos anos responde a uma necessidade objetiva do sistema elétrico, que é garantir potência nos horários de pico. PublicidadeSegundo ele, o Plano de Operação Energética (PEN) publicado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) no ano passado, já projetava a necessidade de ampliar a oferta térmica por quatro a cinco anos, o que passava por recontratar o parque existente e adicionar novas usinas. No leilão, lembrou, foram contratados 15 gigawatts (GW) de térmicas a gás - o principal bloco - além de carvão, óleo e hidrelétricas, totalizando quase 19 GW, com entrada escalonada a partir de agosto de 2026.“O estudo (da EPE) simulou a operação do sistema retirando térmicas não contratadas e admitindo que novas usinas não entrariam em operação, medindo o risco de falta de atendimento de potência. O resultado apontou falta de potência em 30% dos cenários em 2026, com crescimento ano a ano até chegar a 90% em 2029, bem acima do nível de concepção do sistema, que seria conviver com risco de até 5%”, explicou.Se as térmicas existentes forem recontratadas e as novas entrarem no prazo, o risco volta a patamares considerados normais, explicou. A Petrobras contratou nove usinas térmicas a gás natural no LRCAP, para entrada em 2026, 2027, 2028 e 2031, que com as que já estão em operação somam 13 usinas. A estatal reservou R$ 5 bilhões no seu Plano de Negócios 2026-2030 para manutenção do seu parque termelétrico.PublicidadeTupiassu explicou que a necessidade de contratação de térmicas flexíveis é uma realidade já no presente e verificável nos dados da operação do Sistema Elétrico Nacional (SIN), com o acionamento frequente das usinas, realizado pelo Operador Nacional do Sistema (ONS). Ele relatou um exemplo recente de despacho, com acionamentos, no meio da tarde, que exigiram elevar a geração de 600 megawatts (MW) para 2.400 MW em cerca de duas horas.“Geralmente o mês de maio é um mês de outono. É um mês que os reservatórios (das hidrelétricas) ainda estão cheios, não está calor, o clima é ameno. Não costumava ter demanda nesses dias. O sistema está mais nervoso”, informou, lembrando que a pressão é maior devido às energias intermitentes (solar e eólica). Quando essas fontes deixam de gerar, as térmicas precisam ser acionadas.PreçoDe acordo com o executivo, a polêmica envolvendo o preço inicial do LRCAP, reajustado para cima a fim de viabilizar sua execução, impediria a participação inclusive da Petrobras. Entre as pressões sobre o preço, ele cita a alta global de custos de equipamentos e manutenção, puxada pela corrida por novas usinas no mundo, pela demanda energética de data centers ligados à inteligência artificial, pela eletrificação e pela migração de países do carvão para o gás.“Em base nos dados que eu tenho, de térmicas em geral, inclusive as da Petrobras, é que, de fato, quando a gente olha as pilhas de custos que a gente tem nas térmicas, analisadas, os preços publicados no primeiro momento, aqueles iniciais, não seriam suficientes para viabilizar o leilão. Nem as existentes e nem as novas. Se eles fossem mantidos, haveria provavelmente muito pouca gente ofertando. A própria Petrobras não conseguiria ofertar boa parte dos seus lances”, explicou.PublicidadePUBLICIDADEO executivo avaliou ainda, que no horizonte 2026-2029 não há soluções substitutas na escala necessária para a potência contratada no leilão. Entre as alternativas apontadas por agentes do setor, ele rejeitou a importação de energia da Argentina, por não ser “firme” e porque o Brasil estaria, hoje, exportando mais do que importando. Também descartou contar com térmicas “merchant”, sem contrato, por não haver garantia de operação e confiabilidade. Já as baterias, disse, são necessárias, mas como complementares.Leia tambémAneel suspende homologação de leilão vencido por Batistas, Esteves e Petrobras até decisão judicialLeilão de energia abre disputa bilionária, pressiona governo Lula e pode encarecer conta de luzAneel confirma resultado de megaleilão de energia questionado na Justiça“Mesmo que contratadas agora, (as baterias) levariam ao menos três anos para entrar e, além de não gerarem energia, teriam duração típica de duas a quatro horas, insuficiente para cobrir o período de maior demanda, que pode se estender do fim da tarde até a noite”, informou, confirmando interesse em participar do leilão de baterias que está sendo planejado pelo governo.“Vamos avaliar a participação, podendo ser projetos próprios ou parcerias. Mas, assim, está no nosso plano sim futuramente participar do negócio de armazenamento de energia como um todo, inclusive de bateria”, afirmou. Publicidade
Petrobras: ante risco de apagões, estatal defende térmicas e homologação de leilão contestado
A Aneel tem até esta segunda-feira, 1º, para responder a questionamentos do TCU, depois que o leilão realizado em março foi questionado na Justiça por entidades setoriais













