Ministro de Minas e Energia defendeu leilão que contratou usinas termelétricas"Posso afirmar que isso nos dará segurança energética para a próxima década", disse Alexandre Silveira no dia da realização do leilão. Crédito: Repordução Youtube Ministério de Minas e EnergiaGerando resumoA Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) entrou com uma Ação Civil Pública na Justiça Federal de São Paulo para tentar suspender os efeitos do Leilão de Reserva de Capacidade de Energia de 2026, realizado pelo governo federal para contratar energia de usinas termelétricas e hidrelétricas pelos próximos 15 anos.PUBLICIDADEA entidade também acionou o Ministério Público Federal e o Tribunal de Contas da União pedindo maior transparência e a suspensão da homologação dos contratos, prevista para os dias 21 e 22 de maio.A Fiesp questiona principalmente o aumento dos preços-teto do leilão, que, segundo a entidade, subiram até 100% em um intervalo de três dias sem justificativa técnica clara. A federação também aponta que o volume de energia contratado pode ter superado a necessidade real do sistema elétrico brasileiro, o que poderia gerar custos adicionais bilionários repassados às contas de luz ao longo das próximas duas décadas. O Ministério de Minas e Energia afirmou que o leilão foi conduzido “em estrita observância a todos os preceitos técnicos e legais” e “acompanhado pelo Tribunal de Contas da União (TCU)“. Na época da realização do certame, em março, o ministro Alexandre Silveira classificou o resultado como “histórico” e afirmou que a medida garantiria segurança energética para o País na próxima década. PublicidadeSegundo a Fiesp, a segurança energética é necessária, mas não pode justificar contratações consideradas ineficientes, com baixa concorrência e sem transparência suficiente. A Fiesp defende a realização de um novo leilão ainda em 2026, com parâmetros técnicos revisados e maior competitividade entre os participantes.O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, com o presidente Lula Foto: Wilton Junior/ EstadãoO leilão se tornou alvo de disputa entre empresas do setor elétrico e abriu uma nova frente de pressão sobre o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O certame contratou energia de termelétricas e hidrelétricas por 15 anos e teve entre os vencedores empresas como Eneva, Âmbar Energia e Petrobras.As empresas vencedoras do leilão defendem o modelo adotado pelo governo. O CEO da Eneva, Lino Cançado, afirmou ao Estadão que o certame foi “essencial para garantir confiabilidade e segurança” ao sistema elétrico brasileiro. Segundo ele, o avanço das fontes renováveis aumenta a necessidade de usinas térmicas para assegurar o fornecimento de energia em períodos de maior demanda.Já a Petrobras disse que a priorização das termelétricas é “coerente com as necessidades atuais do sistema elétrico brasileiro” e afirmou que o preço-teto inicialmente previsto seria insuficiente para cobrir os custos das operações.PublicidadeA reportagem procurou a Âmbar Energia, mas a empresa não se manifestou.Leia tambémLeilão de energia abre disputa bilionária, pressiona governo Lula e pode encarecer conta de luzCríticos do modelo afirmam que o custo total da contratação pode ultrapassar R$ 500 bilhões e chegar próximo de R$ 800 bilhões, dependendo do acionamento das usinas térmicas. Segundo estimativas citadas por entidades industriais, o impacto poderia representar aumento de até 10% nas tarifas residenciais e de até 20% para consumidores industriais.O modelo do leilão vem sendo contestado também por representantes do setor de energias renováveis, especialmente por empresas ligadas à geração solar e eólica, que criticam a ausência de sistemas de armazenamento por baterias no certame. Parlamentares pediram apuração sobre possíveis irregularidades no processo.PUBLICIDADEA Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) também se manifestou contra a homologação do leilão antes da conclusão das análises técnicas do TCU. Em nota, a entidade afirmou que o volume contratado foi superior ao necessário, criticou os contratos de longo prazo e apontou concentração da contratação em usinas fósseis consideradas mais caras e poluentes.Segundo a FIEMG, o leilão contratou cerca de 19 gigawatts de potência, apesar de estudos do setor indicarem necessidade próxima de 10 gigawatts para garantir a segurança do sistema nos próximos anos. A federação mineira defende maior participação de hidrelétricas com reservatório, sistemas de armazenamento em baterias e fontes renováveis na expansão da matriz elétrica brasileira.