O Ministério de Minas e Energia contrariou projeção da EPE (Empresa de Pesquisa Energética) ao decidir priorizar usinas termelétricas e hidrelétricas, e não baterias, na realização do megaleilão que contratou R$ 515 bilhões em reserva de capacidade de energia.

O pregão é questionado na Justiça Federal e no TCU (Tribunal de Contas da União) em razão das alterações feitas em sua base de cálculo que, em três dias, fez dobrar o custo total da energia contratada e por priorizar o uso de usinas movidas a combustíveis fósseis (carvão e gás) em vez de fontes renováveis.

Em 2023, estudo da EPE —órgão técnico vinculado ao ministério—, encomendado para projetar os efeitos desse pregão, sugeriu a contratação de baterias e fez críticas às termelétricas.

Questionado pela reportagem, o Ministério de Minas e Energia informou que deseja fazer o leilão de baterias até o fim do ano e que "optou por tratar essa tecnologia em certame específico" por ser nova.

A pasta afirma que o cenário nacional mudou desde 2023, com aumento da demanda de energia, por exemplo pela instalação de data centers, e que o megaleilão "foi desenhado considerando o [novo] cenário".