"Ano que vem eu volto para o Brasil." Lá estava Lucas de novo desabafando que não aguentava mais fazer o que ele mais amava: ser uma das estrelas da gastronomia parisiense. "Não dá mais, suffit..." Na primeira vez que ouvi isso, me assustei. Nas seguintes, apenas sorri.
Paris perdeu na semana passada um grande chef brasileiro. Ou ainda, um grande chef. Lucas Baur de Campos, Lucas, Lucão morreu menos de um mês depois de celebrar os dez anos de enorme sucesso do restaurante que colocou de pé ao lado de sua companheira Ninon Lecomte. Uma festa que, como ele mesmo me contou, tinha sido uma das noites mais felizes da sua carreira.
Uma trajetória que Lucas, com aquele jeito sempre relutante de comemorar suas conquistas, constantemente ameaçava abandonar. Uma ameaça que, não demorei para perceber aliviado, não passava de retórica.
Nunca foi um caminho fácil. Aliás, nunca é. Se alguém te disser que basta ter talento para se tornar um dos restaurantes mais disputados de Paris, essa pessoa está mentindo. O Brutos, seu carro-chefe —e mais tarde o Bar Principal— foi construído com imensas doses de dedicação, esforço, sacrifício e superação. Mas sobretudo com talento.
Fomos apresentados por um amigo comum, na época um sommelier eminente da gastronomia parisiense. Em meados dos anos 2010, o Brutos era apenas uma aposta arriscada. Aliás, bastante arriscada.















