Um dos mais destacados intelectuais da esquerda francesa do século passado veio diversas vezes ao Braisl para discutir educação O sociólogo Edgar Morin, em 2019v — Foto: Ana Branco / O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você Reconhecido como o criador do 'pensamento complexo', o filósofo e sociólogo francês teve uma trajetória marcada pela atuação na Resistência Francesa durante a Segunda Guerra Mundial e por contribuições históricas à educação global. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O filósofo francês Edgar Morin morreu nesta sexta-feira (29), aos 104 anos, em Paris. Morin recebia cuidados paliativos após uma dupla infecção e faria 105 anos no dia 8 de julho. A notícia foi divulgada por um secretário pessoal do pensador, Nelson Vallejo Gomez, em seu perfil no Instagram. "Ao pôr do sol de uma majestosa tarde de primavera, no Hospital Americano de Paris, nesta sexta-feira, 29 de maio de 2026, encerrando um fabuloso ciclo existencial que começou em Paris em 8 de julho de 1921, o espírito brilhante do amado sábio da #PoéticaDaCivilidade, meu pai espiritual, querido e admirado Condor, Edgar Morin, tornou-se pura energia", publicou Gomez. "Agora ele está muito mais intensamente presente em nós. Sempre carregarei seu sorriso em meu coração como um farol de inteligência viva, e o manual da Unesco, que é como um legado." Um dos mais destacados intelectuais da esquerda francesa durante o século XX, Morin foi um pensador produtivo mesmo depois de se tornar centenário: aos 102 anos, publicou um romance de inspiração autobiográfica escrito inicialmente em 1946, "L'année a perdu son printemps ("O ano perdeu sua primavera", em tradução livre). Autor de mais de 30 livros, o pensador publicou o livro "Os Sete Saberes Necessários à Educação do Futuro" em parceria com a Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), e veio várias vezes ao Brasil para discutir o ensino. Morin nasceu como Edgar Nahoum em Paris. Pesquisador emérito do Centre National de la Recherche Scientifique. e formado em Direito, História e Geografia, fez estudos em Filosofia, Sociologia e Epistemologia. Judeu de origem sefaradita, participou da Resistência Francesa durante a ocupação nazista de seu país na Segunda Guerra Mundial, quando aderiu ao Partido Comunista, em 1941. Foi nessa época que adotou o pseudônimo com que ficou famoso No fim do conflito, foi para a Alemanha ocupada, como adido ao Estado Maior do Primeiro Exército Francês na Alemanha, em 1945, e, em 1946, como chefe do departamento de propaganda do governo militar francês. Nessa época, escreve seu primeiro livro, L'An zéro de l’Allemagne ("O Ano Zero na Alemanha"), sobre situação do povo alemão no pós-guerra. A partir de 1949, Morin se afastou do Partido Comunista, que o expulsou definitivamente em 1951, por suas posições contra o ditador russo Joseph Stálin. Em 1955, coordenou um comitê contra a guerra da Argélia e defende particularmente Messali Hadj, pioneiro da luta anticolonial e um dos próceres da independência da Argélia. Morin fundou em 196, na École des hautes études en sciences sociales (EHESS), o Centro de estudos de comunicação de massa, com Georges Friedmann e Roland Barthes, com a intenção de adotar uma abordagem transdisciplinar do tema, e cria a revista Communications. Morin é também fundador da revista Arguments (1957-1963). Morin mudou a forma como enxergamos o conhecimento ao criticar a divisão artificial das ciências em "caixinhas" isoladas, propondo que tudo na vida, na natureza e na sociedade está interligado. Na educação, ele propôs um ensino voltado para a cidadania planetária, a compreensão humana, o preparo para lidar com incertezas e a valorização do afeto e do respeito às diferenças.
Pensador Edgar Morin morre aos 104 anos
Um dos mais destacados intelectuais da esquerda francesa do século passado veio diversas vezes ao Braisl para discutir educação












