Do Arquivo: Edgar Morin em Lisboa em 2023: “Espera o inesperado”O filósofo francês Edgar Morin morreu na sexta-feira, aos 104 anos, em Paris, confirmou a sua mulher ao jornal Le Monde. "Até aos seus últimos dias, Edgar Morin manteve-se atento ao mundo, aos outros e aos grandes desafios humanos que alimentaram o seu pensamento", referiu também Sabah Abouessalam Morin, num comunicado enviado à Agência AFP."Não sou daqueles que têm uma carreira, mas daqueles que têm uma vida", escreveu na obra Os Meus Demónios (Publicações Europa América) aquele que é considerado um dos grandes pensadores do último século, como lembra o jornal francês no seu obituário.Precursor da "sociologia do presente", interessou-se por fenómenos pouco estudados pela sociologia como o cinema, novas tecnologias ou desporto. O filósofo e sociólogo Edgar Morin autodefinia-se como “construtivista”, inscrevendo-se na corrente da “pensée complexe”, ou seja do pensamento complexo. O seu trabalho procurou sempre a reflexão sobre o ser humano a partir de dados científicos, promovendo a epistemologia como a verdadeira ciência global da humanidade.Apresentando-se como um "caçador de conhecimento", recusou sempre a fragmentação do saber, em favor de uma visão cultural e científica multidisciplinar, a fim de enfrentar aquilo que classificava como a "complexidade do real".Era considerado por muitos dos seus pares como um "pensador planetário", que procurou, através do conceito de "pensamento complexo", conectar o que na "percepção habitual não está ligado".Edgar Morin considerava que quanto mais graves eram os riscos de crise, maiores eram as hipóteses de encontrar soluções e apresentava-se como um "optipessimista", explicando: "tenho esperança num contexto de desesperança".Publicou a sua primeira obra, O Ano Zero da Alemanha, em 1946, que depois foi adaptada para cinema por Roberto Rossellini em 1948. Publicou mais de vinte livros sobre sociologia, cultura, política, conhecimento e complexidade, entre os quais se destaca a série O Método que em Portugal foi publicada em vários volumes pelas Publicações Europa-América.No quinto volume de O Método, A Humanidade da Humanidade -A Identidade Humana, escreve: "Quanto mais conhecemos o ser humano, menos o compreendemos. As dissociações entre disciplinas fragmentam-no, esvaziam-no de vida, de carne, de complexidade e certas ciências consideradas humanas esvaziam mesmo a noção de homem".Edgar Morin nasceu em Paris como Edgar Nahoum, filho de judeus sefarditas originários de Salónica (Grécia), estudou História, Geografia e Direito. Participou na Resistência francesa durante a Segunda Guerra Mundial. É durante esse período que adopta o pseudónimo Morin, depois de um engano em que um seu camarada não compreendeu bem o nome com que se identificava o jovem Edgar na clandestinidade numa reunião da Resistência — apelidou-se de Edgar Manin, tributo à obra A Condição Humana, de André Malraux, mas depois do engano decidiu não o corrigir. Desde a década de 1950, desenvolveu a sua actividade de investigação em diversas instituições académicas francesas, especialmente no Centro Nacional de Investigação Científica (CNRS).Foi membro do Partido Comunista Francês, do qual foi expulso por discordar da orientação oficial. Entrou em ruptura com o comunismo em 1959, tendo escrito a obra Autocrítica, muito dura para o partido, as intervenções soviéticas e os erros políticos.Faria 105 anos no próximo dia 8 de Julho.
Morreu o filósofo e sociólogo francês Edgar Morin aos 104 anos
Considerado um dos grandes pensadores do último século, Edgar Morin morreu na sexta-feira em Paris.










