Governadora do DF diz esperar solução no STF para ‘virar a página’ da crise do BRBDistrito Federal acionou Supremo para obrigar governo Lula a participar de socorro ao Banco de Brasília após Caso Master. Crédito: Agência BrasíliaGerando resumoBRASÍLIA — A equipe técnica do Tribunal de Contas do Distrito Federal identificou um rombo de R$ 5,5 bilhões no orçamento do DF. A situação será analisada no processo de julgamento das contas do ex-governador Ibaneis Rocha (MDB) relativas a 2025 e poderá, em último caso, atingir a situação eleitoral do político em 2026. PUBLICIDADEO rombo é resultado de uma deterioração fiscal do orçamento distrital, segundo os técnicos ouvidos pela reportagem. A conta pode aumentar, pois muitas despesas de anos anteriores ficaram ocultas e estão aparecendo agora. O presidente do tribunal, conselheiro Manoel de Andrade, afirmou ao Estadão que pretende levar as contas do ex-governador para julgamento até julho. Procurados, Ibaneis e a Secretaria de Economia do Distrito Federal não comentaram. Equipe técnica do Tribunal de Contas do DF identificou rombo de R$ 5,5 bi; situação será levada ao julgamento das contas de Ibaneis Rocha relativas a 2025 e poderá atingir sua situação eleitoral Foto: Renato Alves/Agência BrasíliaNa análise, os auditores identificaram um déficit primário (saldo entre receitas menos despesas, sem contar os juros) de R$ 821 milhões em 2025, despesas do ano passado (Restos a Pagar - RAP) que não foram quitadas de R$ 1,7 bilhão, um passivo oculto de dívidas que estão sendo faturadas agora (Despesas de Anos Anteriores - DEA) de R$ 1,5 bilhão e uma pressão nas contas do Instituto de Previdência dos Servidores do Distrito Federal (Iprev-DF) de R$ 1,5 bilhão. PublicidadeOs técnicos encontraram um cenário de “rolagem de déficit assistido”. Isso significa que o governo está pagando dívidas de anos anteriores que foram empurradas para 2026, incluindo situações em que fornecedores prestaram serviços e não foram sequer faturados. Na prática, a administração registra um resultado oficial nas contas, cumprindo regras legais e evitando sanções, sem medir a solvência real do orçamento, pois há uma conta “escondida”. Leia maisGoverno do DF se nega a usar fundo constitucional e oferece FPM e FPE em operação para salvar BRBPresidente do Tribunal de Contas do DF defende bloqueio de bens no caso Master para ressarcir BRBCada parte do rombo tem um significado diferente. O déficit primário, por exemplo, ocorre quando o governo gasta mais do que arrecada. No caso dos Restos a Pagar, é normal que alguns gastos não sejam pagos no mesmo ano e fiquem para o ano seguinte, mas a fatura disputa espaço com novas despesas. Com as Despesas de Anos Anteriores (DEA), a situação é mais grave, porque o serviço foi prestado, mas a conta não foi faturada e só apareceu agora. No Iprev, o instituto alega não ter dinheiro para pagar aposentadorias neste ano. O ano eleitoral agrava ainda mais a situação, pois o governante não pode deixar dívidas para o próximo mandato.PublicidadeJulgamento final das contas de IbaneisO tribunal é responsável por dar um parecer sobre as contas do ex-governador. O julgamento final depende da Câmara Legislativa do Distrito Federal, onde Ibaneis tinha maioria. Em último caso, um político pode ficar inelegível se tiver as contas rejeitadas por problemas graves e atos dolosos de improbidade. Ibaneis é pré-candidato ao Senado e tenta consolidar sua candidatura, diante da crise do Banco Master e do rompimento com a sucessora, Celina Leão (PP).Como o Estadão revelou em fevereiro, o governo do Distrito Federal começou 2026 com um déficit nas contas e sem dinheiro em caixa para honrar compromissos. A situação impediu a administração de fazer um aporte no Banco de Brasília (BRB), atingido pela crise do Banco Master. Sem recursos em caixa, o Distrito Federal pediu um empréstimo de R$ 6,6 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e negocia um acordo com a União para pegar o financiamento com aval de bancos públicos e privados e uma flexibilidade permitindo aumento do endividamento.“São duas coisas ao mesmo tempo: o rombo do BRB e o rombo nas contas do governo. O ambiente está ruim. Se tivéssemos uma boa posição fiscal, seria mais fácil, mas não está boa. O que precisa é dar credibilidade, ajustar e responsabilizar quem deu causa”, afirmou o presidente do Tribunal de Contas do DF, Manoel de Andrade. PublicidadePUBLICIDADEPara ele, a crise fiscal é resultado de “descuido, desleixo” nas contas públicas e poderá levar à rejeição das contas do ex-governador. “Quem tem as suas contas rejeitadas vai poder recorrer, mas é preciso que o tribunal cumpra a sua missão. Eu já rejeitei contas aqui.”Em entrevista ao Estadão no início de maio, o secretário de Economia do Distrito Federal, Valdivino de Oliveira, que assumiu o cargo em março, após a saída de Ibaneis e com a posse de Celina Leão, afirmou que o governo tem feito um forte ajuste para equilibrar o Orçamento. A secretaria calculou um déficit acumulado de R$ 2,7 bilhões em 27 meses e promete corrigir a rota e levar o DF a um superávit em agosto. Ao explicar o que aconteceu para o orçamento chegar à atual situação, o secretário definiu a gestão anterior com a expressão francesa “laissez-faire”, que significa “deixe fazer”. “O grande problema aqui no governo do Distrito Federal na execução financeira e orçamentária foi o ‘deixar fazer’, ‘façam’. Você tem uma secretaria arrecadando e 100 unidades gastando e com liberdade de gastar”, afirmou Oliveira. O governo determinou um corte de gastos e decretou que nenhuma despesa seja autorizada sem dinheiro em caixa. Publicidade