Banco Central não dá pistas sobre futuro do BRB e situação permanece incertaBRB tinha dado prazo para solucionar problema do banco até 29 de maio. Crédito: EstadãoGerando resumoBRASÍLIA — O Supremo Tribunal Federal (STF) se tornou a principal estratégia do governo do Distrito Federal para cobrir o rombo do Banco Master no Banco de Brasília (BRB). A administração distrital acionou o Supremo para obrigar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a participar do socorro ao BRB. PUBLICIDADEO pedido foi protocolado no dia 19 de maio e está em segredo de Justiça. A estratégia estava nos planos da cúpula do DF e do BRB há mais de um mês, segundo apurou o Estadão. O relator é o ministro Luiz Fux. A cúpula do Distrito Federal espera ter uma decisão ainda nesta semana. Nesta terça-feira, 26, a governadora do Distrito Federal, Celina Leão, tem uma reunião com o magistrado e representantes da União, em uma espécie de audiência de conciliação, às 16 horas. No dia anterior, Fux emitiu decisões para que a Advocacia-Geral da União e o Banco Central se manifestassem. O governo do Distrito Federal ficou sem dinheiro em caixa para honrar compromissos e perdeu a capacidade de pagamento exigida pela União para conceder aval do Tesouro Nacional em operações financeiras. PublicidadeO DF busca um empréstimo de R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e quer que a União seja avalista da operação. O objetivo é injetar o dinheiro no BRB e cobrir o rombo deixado pelo Master na instituição. Compra do Master pelo BRB expõe fragilidades de proteção do FGC Foto: Adobe StockO FGC resiste a conceder o financiamento sem ajuda da União e sem a participação de outros bancos. No final de abril, Celina encaminhou um ofício ao ministro da Fazenda, Dario Durigran, pedindo que o governo federal conceda o aval de forma excepcional, alegando riscos para o Distrito Federal e para o sistema bancário em caso de quebra do BRB. Ela também pediu uma reunião com o presidente Lula, mas não foi atendida. Leia tambémGrupo de WhatsApp de Vorcaro era usado para acertar fraudes no BRB, diz PF: ‘A conta não fecha’Banco Central não dá pistas sobre futuro do BRB, mas situação do banco público permanece incertaGoverno do DF arrecada R$ 1 bi com securitização, mas ainda busca R$ 6,6 bi para ‘salvar’ o BRBO ministro da Fazenda tem falado que o Distrito Federal não está com condições financeiras de ser socorrido pela União. Durigan sugeriu que o governo distrital ofereça o Fundo Constitucional do Distrito Federal (FCDF) como garantia da operação. O fundo banca o salário de policiais do DF e servidores da saúde e educação, e por isso há resistência em abrir mão dessa transferência. O BRB não publicou o balanço financeiro de 2025, que tinha prazo de divulgação até o dia 31 de março, e foi sancionado pelo Banco Central. Informalmente, o banco e o governo do DF prometeram ao Banco Central que entregariam o balanço até a próxima sexta-feira, 29, junto com a solução para cobrir o prejuízo do Banco Master. Se não conseguir o empréstimo, o plano B é usar uma solução contábil com a securitização da dívida ativa do DF. PublicidadeIntegrantes do BRB e do governo do Distrito Federal argumentam, nos bastidores, que o DF tem condições de pagar o empréstimo, mesmo com a nota “C” dada pelo Tesouro Nacional na capacidade de pagamento, que impede a garantia. Além disso, citam que a União já socorreu Estados com situação pior, como o Rio de Janeiro, e estatais completamente endividadas, como os Correios recentemente. Interlocutores também lembram que, em 2009, o STF obrigou a União a conceder aval para um empréstimo internacional de R$ 190 milhões ao Distrito Federal. Entre os quatro indicadores considerados pelo Tesouro Nacional para avaliar a situação, o DF ficou com nota “vermelha” na poupança corrente, critério que analisa a despesa corrente frente às receitas. O endividamento, a liquidez relativa do caixa e o ranking de qualidade fiscal estão no “azul”. O governo argumenta que está fazendo um ajuste fiscal para solucionar o orçamento. O DF acumula um déficit de R$ 2,7 bilhões nas contas nos últimos 27 meses. O secretário de Economia, Valdivino de Oliveira, afirmou ao Estadão que o compromisso é corrigir a rota e deixar o caixa com superávit até agosto, fazendo um esforço para recuperar a receita e cortando gastos. Ao receber o empréstimo, o Distrito Federal precisa oferecer garantias para finalizar a operação. Se a União for avalista, o DF deve oferecer contragarantias para honrar o compromisso. Nesse caso, a administração distrital diz ter o Fundo de Participação dos Municípios (FPM), o Fundo de Participação dos Estados (FPE) e imóveis públicos que já foram autorizados por lei. O uso de imóveis, no entanto, foi judicializado e também está no Supremo Tribunal Federal, tramitando em outro processo.
STF vira principal plano para Distrito Federal cobrir rombo do Master no BRB
Governo distrital foi ao STF para obrigar governo Lula a participar de socorro; integrantes da administração dizem que DF tem condições de pagar empréstimo













