Existem perdas que assustam imediatamente e perdas que acontecem em silêncio. Curiosamente, a maioria dos investidores teme muito mais as primeiras. Uma queda temporária no extrato provoca angústia instantânea. Já anos de perda de poder de compra causados pela inflação costumam passar despercebidos.

No mercado financeiro, muitas vezes o maior risco não é aquele que oscila diante dos olhos, mas justamente aquele que se acumula silenciosamente sem chamar atenção.

Nesta semana, uma investidora me procurou orgulhosa por nunca ter "arriscado" seu dinheiro. Todo o patrimônio estava aplicado na poupança de um grande banco nacional. Para ela, o fato de o saldo subir todos os meses significava segurança absoluta.

Quando perguntei quanto aquele dinheiro realmente rendia acima da inflação, veio o silêncio. O número no extrato aumentava. O patrimônio real, porém, quase não cresce.

Esse talvez seja um dos maiores mal entendidos do mercado financeiro: confundir ausência de oscilação com ausência de risco.