Terminal de GNL em Santos é um dos principais ativos no portfólio da Edge, controlada pela Compass Foto: Compass/Divulgação Os fundos que compram participação em empresas, conhecidos como private equities tiveram um primeiro trimestre difícil. Foram fechados 10 negócios, na comparação com 17 no mesmo período do ano passado, de acordo com dados exclusivos passados à Coluna pela Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (ABVCap). PUBLICIDADEDos últimos quatro anos, foi o menor nível trimestral. Em valores, os negócios fechados pelos fundos movimentaram pouco mais de R$ 700 milhões, ante R$ 6,6 bilhões no mesmo período do ano passado. Mas a comparação por dinheiro movimentado é mais complicada, porque há operações cujos números não são revelados - das 10 deste ano, só três tiveram valores públicos. Em venture capital, os fundos que compram empresas mais jovens, como as startups e fintechs, fizeram 17 negócios, com investimentos de R$ 900 milhões. No primeiro trimestre 2025, foram 25 operações, que somaram R$ 1,5 bilhão. “Foi um trimestre difícil, desafiador”, disse a presidente da ABVCap, Priscila Rodrigues. E ela cita alguns fatores que agiram ao mesmo tempo para desestimular negócios. O principal é que os fundos não estão conseguindo vender as empresas que já têm em suas carteiras, um fenômeno não só do Brasil, mas global, explicado pelas taxas de juros elevadas. Por isso, não sobra espaço para investir em novas companhias.Muitas companhias já estão nas carteiras dos fundos há anos, e precisam ser vendidas para devolver o dinheiro aos investidores, que aumentaram a pressão pela reciclagem dos ativos , comenta Priscila. Mas com valores dos ativos baixos, os fundos ficam relutantes em se desfazer dos negócios. “Taxas de juros altas levam a expectativa de menor valuation das companhias”, disse ela, ressaltando que quanto maior a taxa de juros, maior a taxa de desconto e menor o valor das empresas.PublicidadeOs cortes da taxa básica em 2026 tem se dado em ritmo menos intenso do que se esperava. “Hoje, tem uma visão mais consensual de que os juros não vão cair agora no patamar esperado”, disse a presidente da ABVCap. CenárioAlém disso, o mercado de ações, que é outra forma dos fundos venderem suas empresas, está voltando ainda de forma muito gradual. Na segunda-feira, 11, a Compass estreou na B3 após fazer a primeira oferta inicial de ações (IPO, em inglês) no Brasil em quase 5 anos.E o fato de 2026 ser ano eleitoral também não ajuda. “Ano de eleição sempre cria um compasso de espera, com os fundos preferindo esperar para ver o que vai acontecer.” E uma das maiores dúvidas dos fundos e investidores é qual será o plano econômico do presidente eleito. Nesse ambiente, a gestora que tem muita empresa na carteira fica monitorando o mercado, mas não faz novas alocações. Outras esperam as vendas de empresas para fazer novas captações e outras têm dinheiro para investir, mas não encontram negócio no preço que julgam correto, resume a presidente da ABVCap. PublicidadeOs próprios investidores estrangeiros esperam melhor visibilidade para alocar recursos em projetos de mais longo prazo, e não só na B3. Para Priscila, se houver visibilidade de melhora da política econômica nos próximos anos e a expectativa de mais cortes de juros, os negócios tendem a melhorar, nas vendas de empresas e nas novas aquisições, e inclusive na atração de recursos de estrangeiros. “Hoje há pouca visibilidade de queda dos juros na velocidade e nos níveis interessantes para o setor nos próximos 12 meses”, disse ela. “Tenho expectativa que em 2027 vamos ver alguma melhora.” O crescente número de empresas com problemas financeiros, como a Toky, a mais nova companhia a recorrer este ano a uma recuperação judicial, é mais um fator que ajuda a explicar o baixo volume de transações dos fundos no primeiro trimestre, avalia Priscila. Gestoras que tem essas empresas em carteira primeiro vão arrumar a casa, resolvendo o problema das dívidas, para depois vender. “O ambiente de taxa de juros reais muito altas acaba estrangulando o balanço das empresas. E muitas dessas empresas são compradoras de empresas dos fundos.”Esta notícia foi publicada na Broadcast+no dia 14/05/2026, às 17:08A Broadcast+ é uma plataforma líder no mercado financeiro com notícias e cotações em tempo real, além de análises e outras funcionalidades para auxiliar na tomada de decisão.PublicidadePara saber mais sobre a Broadcast+ e solicitar uma demonstração, acesse.