A incorporadora Patrimar comunicou ao mercado, nesta sexta-feira (15), que pretende criar um fundo de investimento para comprar parte das suas unidades em estoque. O movimento foi inspirado por fundo similar estruturado em dezembro pela JHSF, afirmou o diretor-financeiro, Felipe Enk Gonçalves ao Valor. “Naturalmente, o mercado desenvolve produtos que passam a ser discutidos uma vez que são implementados”, disse. “É uma inspiração.” O fundo da Patrimar deverá reunir de R$ 250 milhões a R$ 300 milhões, para adquirir unidades já prontas ou que estejam em fase final de conclusão, informou a empresa. O veículo da JHSF é de R$ 5,2 bilhões e comprou todo o estoque pronto da unidade de incorporação do negócio. Com isso, as empresas conseguem tirar dos seus balanços parte do estoque, que tem um custo de carrego. É preciso, por exemplo, arcar com impostos, manutenção e condomínio das unidades já prontas, que também podem ser mais difíceis de serem vendidas, uma vez que, se o consumidor desejar utilizar um financiamento imobiliário, não terá o período de obra para quitar a entrada. Gonçalves disse não poder comentar sobre expectativa de rentabilidade do fundo. A empresa está avaliando se terá, e qual será, a sua participação no veículo. De acordo com o diretor, o racional para a criação do fundo é aumentar a liquidez do negócio e “dar giro para o ativo”. “Isso é parte do processo natural da companhia”, afirmou. A Patrimar viu seu estoque dobrar em valor em um ano, de R$ 1,55 bilhão, ao final de março de 2025, para R$ 3,08 bilhões, neste primeiro trimestre. As unidades prontas são 7% desse total, ou R$ 216 milhões em valor geral de venda (VGV) potencial, e 43% do estoque foram lançados há 18 meses ou mais. Segundo Gonçalves, o aumento do estoque não é encarado como um problema, mas fruto do crescimento operacional da Patrimar, que elevou os lançamentos em 67% nos últimos 12 meses até março, para R$ 2,94 bilhões em VGV. Já as vendas caíram 20% no mesmo intervalo, somando R$ 1,14 bilhão. O executivo afirmou ser “pouco provável” que a Patrimar use a venda de estoque para o fundo de forma sistemática. O veículo não deve ter foco em um segmento específico de renda. A Patrimar atua do alto padrão ao programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), no qual utiliza a marca Novolar. Foi com essa divisão que a empresa, de origem mineira, lançou seu primeiro projeto na capital paulista, em maio, e planeja ter mais dois ainda no primeiro semestre, com VGV somado de cerca de R$ 400 milhões. A empresa já atuava no Estado de São Paulo, mas apenas no interior. Também lança em Minas Gerais e no Rio de Janeiro. A incorporadora tem capital aberto, mas não fez seu IPO, embora figure entre as cotadas para tal, em uma nova janela de operações.