O fato de a Cyrela ter seus lançamentos divididos entre o alto padrão, o médio padrão e o programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) ajuda a balancear os efeitos do aumento de insumos, que a empresa já tem sentido, por causa da alta do petróleo, disse o diretor financeiro da incorporadora, Miguel Mickelberg. Ele falou com analistas em teleconferência nesta sexta-feira (15). Essa distribuição cria um “hedge natural”, disse. Isso acontece, explicou, porque empreendimentos de média e alta renda têm seu preço corrigido pelo Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) durante a fase de obra. O INCC acompanha os aumentos de insumos e de mão de obra no setor. Já os lançamentos do MCMV não incluem essa proteção, e a incorporadora precisa embutir prováveis aumentos de inflação de obra já no valor do lançamento. A Cyrela trabalha com um INCC de 6% ao ano, embora Mickelberg tenha dito que já se espera o indicador entre 7% e 9% em 2026. Ainda assim, segundo ele, a Cyrela tem uma diferença positiva de R$ 2,6 bilhões entre os recebíveis líquidos de permuta financeira, excluindo os projetos do MCMV, e o custo de obra a incorrer no ano, com a inclusão do MCMV. “No curto prazo, o INCC mais alto tende até a ser positivo para o nosso resultado”, afirmou, citando que a margem bruta mais alta da companhia nos últimos anos ocorreu em 2021, quando o INCC também atingiu um pico, por causa da operação de média e alta renda — o segmento de MCMV pode ter redução de margem no curto prazo, pontuou. Tudo isso, no entanto, só funciona se a empresa conseguir repassar preços em seu estoque, ressaltou, o que é “incerto”. Raphael Horn, coCEO da incorporadora, descartou que a Cyrela esteja praticando uma política mais agressiva de descontos para vender estoques. Segundo ele, o desempenho positivo nessa área se deve à força de vendas própria da companhia, da empresa Seller. “Quando você trabalha com imobiliária de terceiros, que são competentes, [os corretores] estão com você no lançamento e depois está com o próximo incorporador que estiver lançando”, disse. “Por isso, há 30 ou 40 anos, o seu Elie [Horn, fundador da Cyrela] montou a Seller, para não sermos reféns disso”. As vendas da empresa, em geral, estão seguindo o esperado para o ano, disse Mickelberg, e, se continuarem assim, podem fechar 2026 no mesmo patamar ou acima de 2025, o que poderia fazer com que a receita suba. “Acreditamos que vamos ter crescimento da receita”, afirmou o diretor-financeiro. Já os lançamentos devem ficar um pouco abaixo do volume do ano passado, com exceção da vertical do MCMV, onde a Cyrela espera ver crescimento em novos projetos. Mickelberg afirmou que a empresa espera uma geração de caixa de zero a R$ 200 milhões em 2026. Horn destacou que o ano atual está parecido com 2025, o que significa que o mercado segue desafiador, na sua visão, mas com oportunidades. Seria uma situação diferente, e mais difícil, daquela encontrada entre 2018 e 2024, quando “estávamos na Suíça”. “Agora estamos em mercado bom”. Horn afirmou ainda que para quem está pensando em começar uma incorporadora de médio e alto padrão, “é um momento difícil”. “Mas para quem é profissional, dá para ganhar um bom dinheiro”. Ambiente do empreendimento In the Park, da Cyrela, no Rio de Janeiro — Foto: RJZ CYRELA/DIVULGAÇÃO
Cyrela vê diversificação de setores como ‘hedge’ natural contra alta de insumos
As vendas da empresa, em geral, estão seguindo o esperado para o ano, disse o diretor financeiro da incorporadora,













