O GPA adiou a publicação de seu balanço de janeiro a março, do dia 6 de maio para o dia 14, no fim do prazo para apresentação das demonstrações de resultado ao mercado — e também após a apresentação das condições de seu plano de recuperação extrajudicial. E no material agora apresentado, a companhia publicou prejuízo líquidos dos acionistas controladores de R$ 1,4 bilhão, além de queda de 8,2% na receita líquida. Em relação ao ano anterior, o aumento na perda é de 751% — um ano atrás, a perda foi de R$ 169 milhões. O adiamento na publicação dos dados do primeiro trimestre e a falta de dados das condições financeiras são alvo de uma petição de investidores da empresa na Justiça de São Paulo, dentro da recuperação extrajudicial da rede — eles alegam que a falta de dados até quinta-feira (14) e o atraso na publicação impediam a capacidade de análise para avaliação do plano. As condições do plano de recuperação foram aprovadas dias atrás por bancos credores que apoiam a empresa antes da publicação do balanço — e os demais credores deverão ser “puxados” para a recuperação automaticamente. A empresa tem afirmado que mantém canal de comunicação com todos os credores para esclarecimento de dúvidas sobre a sua condição financeira. A companhia ainda informou no balanço que, em termos de prejuízo líquido continuado, o valor totalizou R$ 1,3 bilhão, impactado negativamente por efeitos não recorrentes e não caixa de R$ 1 bilhão. Dentre esses efeitos, os principais impactos foram R$ 588 milhões associados a baixa de crédito e R$ 435 milhões relacionados a baixa de ativos e impairment. A companhia está em teleconferência de resultados com analistas na manhã desta sexta-feira (15) e informou que o mercado consumidor se mantém desafiador, mas que o plano de recuperação extrajudicial será fundamental na retomada da capacidade financeira. A empresa ainda foi questionada sobre novidades relativas às contingências fiscais e trabalhistas, que chegariam a R$ 17 bilhões e ainda pressionam a rede — esse montante está fora da recuperação. Sobre isso, a diretoria financeira disse que não tem novas atualizações, e que é algo a ser um foco daqui para frente. Em termos de endividamento, em março, antes das negociações com credores, a relação entre dívida líquida e lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação estava em 3,5 vezes, acima dos 2,8 vezes do ano anterior. Dados das notas explicativas da rede mostram que os limites de endividamento negociados pela rede — chamadas cláusulas restritivas financeiras — com bancos, e que a companhia não pode ultrapassar sob pena de ter que renegociar seus contratos, variavam de 3,25 a 3,75 vezes. Na manhã desta sexta-feira, a teleconferência de resultados da rede com a analistas foi curta, durou menos de quarenta minutos. O presidente Alexandre Santoro disse que a rede terá uma melhora considerável em termos de alongamento de dívida e vencimento de curto prazo com o plano de recuperação, e capacidade de foco no operacional após essa fase. Pelos dados do balanço, as despesas operacionais caíram 3,5% para um recuo nas vendas líquidas maior, de 8,2%. Houve efeito de uma demanda mais arrefecida nas lojas, disse a direção, mesmo a empresa sendo mais resiliente à crise por atender a um público de classes A e B. A companhia não explicou na teleconferência a razão pela qual sentiu menor demanda mesmo atendendo camadas de renda mais alta, mais protegida por aumentos de endividamento da população. Aumento da competição no setor e perda de “market share” podem explicam essa queda nas vendas. A companhia disse que teve efeito a descontinuidade do programa de lojas de bairro chamado Aliados. Esse programa tinha baixo impacto nas vendas totais do grupo. Na rede Pão de Açúcar, a principal da empresa e focada nas classes mais altas, as vendas “mesmas lojas”, em operação há mais de 12 meses, cresceram apenas 0,2%. No Extra Mercado, o crescimento de vendas em mesmas lojas atingiu 1,2%. Nos negócios de proximidade, que são as unidades de minimercados, a alta foi de 0,3%. A margem bruta cresceu de forma mais forte, com alta de 2,9 pontos, para 30,4% de janeiro a março. Em 4 de novembro de 2025, a companhia estabeleceu um plano de eficiência que continua de pé, com foco na otimização de custos, despesas e investimentos. Foram definidas duas projeções principais: investimentos para 2026 contemplando aquisições de ativo imobilizado e investimentos em ativos intangíveis, estimados entre R$ 300 milhões e R$ 350 milhões, e redução de despesas e custos operacionais, principalmente relacionados ao suporte às operações de lojas e à estrutura administrativa, de pelo menos R$ 415 milhões. Já sobre a recuperação extrajudicial, considerando os créditos sujeitos ao plano de recuperação, a companhia deve reduzir esse passivo pecuniário dos R$ 4,568 bilhões para aproximadamente R$ 2,083 bilhões.
Após adiar balanço e aprovar plano, GPA publica perda bilionária e baixa de R$ 1 bi
Em relação ao ano anterior, o aumento na perda é de 751% — um ano atrás, a perda foi de R$ 169 milhões














