O Ibovespa opera em forte queda nesta sexta-feira (15), pressionado pelo retorno da aversão global a risco em meio à alta dos preços do petróleo. A disparada dos juros no exterior também contamina o ambiente local, especialmente com o rendimento dos Treasuries de 10 anos acima de 4,5%, diante de temores inflacionários. Nesse cenário, a abertura das taxas longas locais pressiona as ações mais sensíveis ao ciclo econômico, que lideram as perdas da sessão. A queda das ações da Vale, de mais de 2%, adiciona pressão ao índice, em meio ao recuo do minério de ferro em Dalian. O mercado também repercute a frustração com a falta de avanços relevantes nas negociações entre Estados Unidos e China, enquanto a guerra no Irã segue sem sinais concretos de um acordo de paz. Por volta das 12h50, o Ibovespa caía 1,06%, aos 176.468 pontos, com mínima em 175.417 pontos, e máxima de 178.341 pontos. Em Nova York, o S&P 500 operava em queda de 1,07%, o Dow Jones contraía 1,05% e o Nasdaq perdia 1,35%. O volume financeiro projetado para o índice brasileiro é de R$ 23 bilhões. As ações ordinárias da Vale recuavam 1,88%, enquanto os papéis ordinários e preferenciais da Petrobras subiam 1,58% e 0,96%, respectivamente, amenizando as perdas do índice. A alta do petróleo dá suporte às ações da estatal. Após o alívio observado nesta quinta-feira, os mercados locais voltam a ficar pressionados, influenciados principalmente pelo cenário externo. O rendimento da T-note de dez anos avançava de 4,489% para 4,537% no horário citado, em meio à manutenção do fechamento do Estreito de Ormuz e dos preços do petróleo acima de US$ 100 tanto em Londres quanto em Nova York, o que intensifica os temores inflacionários globais. Nesse cenário, os juros longos locais avançam e pressionam os papéis ligados à economia doméstica, especialmente após uma temporada de balanços que evidenciou os impactos da desaceleração da atividade econômica sobre os resultados das companhias. As incertezas com o cenário eleitoral permanecem após o novo “Flávio Day”. Participantes do mercado afirmam que seguem observando os desdobramentos do caso para realizar novas mudanças nos portfólios. Entre as maiores quedas, a ação ON da Cosan recuava 7,10%, após resultados do primeiro trimestre. O balanço foi marcado por um forte impacto no lucro em meio ao seu processo de reestruturação gradual, diz o Jefferies. Além disso, o CEO da companhia, Marcelo Martins, afirmou que é “bastante razoável” dizer que a holding deixará de existir num horizonte de três a cinco anos, dado que o crescimento dos negócios sob seu guarda-chuva serão responsabilidade direta das companhias. Já o papel ordinário da CSN perdia 6%. Para o Bank of America (BofA), o ciclo intenso de investimentos, especialmente ligado à expansão da mineração, deve continuar pressionando a geração de caixa da companhia, limitando a melhora financeira nos próximos trimestres. Ainda em destaque, Cyrela ON cedia 4,16%, após resultados aquém das estimativas, avalia o Itaú BBA. Apesar dos resultados mais fracos serem esperados pelo mercado, a equipe do banco destaca que o balanço sofreu impacto mais forte de despesas com vendas. “Acreditamos que alguns investidores podem começar a questionar as expectativas de consenso daqui para frente”, escrevem analistas liderados por Elvis Credendio.
Ibovespa recua com aversão global a risco, alta dos juros futuros e queda da Vale
Avanço dos preços do petróleo tem reflexos na curva de juros americana e na local, o que pressiona as ações mais sensíveis ao ciclo econômico, que lideram as perdas da sessão















