O estresse global no mercado de juros provocou uma forte reprecificação da curva local e pressionou o Ibovespa nesta sexta-feira. A aversão a risco foi impulsionada pelo aumento das preocupações inflacionárias diante da manutenção dos preços do petróleo em patamares elevados, com o Brent próximo de US$ 110 por barril. Assim, o índice recuou 0,61%, aos 177.284 pontos, após tocar a mínima de 175.417 pontos no pior momento do pregão, enquanto a máxima foi de 178.341 pontos. O avanço das ações da Petrobras, porém, ajudou a limitar as perdas do índice, enquanto a recuperação dos papéis da Vale amenizou a pressão negativa após a mineradora ter operado em forte queda durante boa parte da sessão. Ainda assim, o Ibovespa acumulou perda de 3,71% na semana. Em meio à forte volatilidade, o volume financeiro do índice somou R$ 22,7 bilhões, enquanto a B3 movimentou R$ 32,1 bilhões. Os agentes também acompanharam os desdobramentos envolvendo a ligação entre o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Master. Com a forte aversão a risco no exterior, as bolsas em Nova York encerraram em queda firme: o Dow Jones cedeu 1,07%, o Nasdaq perdeu 1,54% e o S&P 500 caiu 1,24%. Após recuarem mais de 2% durante o pregão, as ações ordinárias da Vale se recuperaram na reta final das negociações e encerraram em alta de 0,76%. Já os papéis ordinários e preferenciais da Petrobras subiram 2,17% e 1,04%, respectivamente, sustentados pela alta do petróleo no mercado internacional. Após o alívio observado na véspera, os mercados locais voltaram a ficar pressionados, influenciados principalmente pelo cenário externo. A manutenção do fechamento do Estreito de Ormuz e dos preços do petróleo acima de US$ 100 tanto em Londres quanto em Nova York intensificou os temores inflacionários globais. A frustração com a falta de avanços relevantes nas negociações entre o presidente americano, Donald Trump, e o líder chinês, Xi Jinping, também pesou sobre os mercados, enquanto o impasse para encerrar a guerra no Irã segue sem sinais concretos de um acordo mais amplo. Nesse cenário, os juros longos locais avançaram e pressionaram os papéis ligados à economia doméstica, especialmente após uma temporada de balanços que evidenciou os impactos da desaceleração da atividade econômica sobre os resultados das companhias. As incertezas em torno do cenário eleitoral também permaneceram após o novo “Flávio Day”. Participantes do mercado afirmam que seguem acompanhando os desdobramentos do caso antes de promover novas mudanças nos portfólios. Nesta tarde, Flávio negou que seu irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, participe da gestão do fundo usado para financiar o filme sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Em entrevista à CNN Brasil, o senador afirmou que Eduardo não tem “absolutamente nenhuma participação” na gestão dos recursos. A declaração ocorreu após o Intercept Brasil publicar que teve acesso a um contrato em que Eduardo aparece como produtor-executivo de “Dark Horse”, filme biográfico sobre o pai. Enquanto o mercado acompanhava os desdobramentos do caso, os resultados corporativos também seguiram fazendo preço. Entre as maiores quedas da sessão, a ação ON da Cosan recuou 5,16%, após a divulgação dos resultados do primeiro trimestre. O Jefferies afirmou que o balanço foi marcado por forte impacto no lucro em meio ao processo gradual de reestruturação da companhia. Além disso, o CEO da empresa, Marcelo Martins, disse que é “bastante razoável” afirmar que a holding deixará de existir em um horizonte de três a cinco anos, à medida que o crescimento dos negócios sob seu guarda-chuva passe a ser conduzido diretamente pelas controladas. Já a ação ordinária da CSN perdeu 3,75%. Para o Bank of America (BofA), o ciclo intenso de investimentos, especialmente ligado à expansão da mineração, deve continuar pressionando a geração de caixa da companhia e limitar a melhora financeira nos próximos trimestres.