A sessão da quinta-feira (14) foi dominada pela ressaca ao "Flávio Day 2.0". Em movimentos mais calculados e racionais, os grandes investidores medem a capacidade de Flávio Bolsonaro (PL), principal candidato de oposição ao Planalto atualmente, de se desvencilhar da relação com o banqueiro Daniel Vorcaro ou sair ileso do último escândalo. O Ibovespa subiu 0,7% na sessão, aos 178 mil pontos. Na semana, está com queda de 3% e, no mês, acumula perdas de 4,8%. No ano até aqui, a carteira acumula alta de 10,7%. "O Ibovespa entregou exatamente o tipo de pregão que Wall Street apelidou de dead cat bounce e o brasileiro traduz como 'alívio com trauma'. Depois da queda brutal de 1,8% na véspera, a bolsa respirou, voltou para a região dos 178 mil pontos e ensaiou um reencontro tímido com o otimismo. O problema é que mercado em tendência forte de baixa sobe exatamente para continuar caindo. E é aí que mora o perigo", avalia Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos. O primeiro "Flávio Day", em 5 dezembro de 2025, ficou assim conhecido quando o senador pelo PL anunciou sua pré-candidatura à presidência, tirando o nome de Tarcísio de Freitas (Republicanos) da fila de herdeiro eleitoral do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), atualmente inelegível. Então, sob a ameaça de a Faria Lima perder o candidato à presidência que já havia abraçado, o mercado reagiu em queda brusca, traçando as probabilidades de Flávio Bolsonaro (PL) ser uma candidatura vista como mais fraca para enfrentar Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas urnas. Mais de seis meses se passaram e a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro ao Planalto já está pacificada, inclusive apoio de políticos e empresários locais em seus roadshows na Faria Lima. Assim, no "Flávio Day 2.0", o temor é justamente o de o mercado financeiro perder o seu candidato mais competitivo ao Planalto hoje: Flávio Bolsonaro. Ontem, o principal temor do mercado diante da revelação da pré-candidatura de Flávio Bolsonato se concretizou: uma pedra atingiu o "teto de vidro" do senador. E o escândalo do Banco Master, fraude financeira que gerou rombo de R$ 47 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), havia chegado a um dos candidatos ao Planalto. A recuperação parcial dos ativos hoje, no entanto, não simboliza o fim do último capítulo da novela política brasileira, mas o acalmar dos ânimos em torno dela. De pânico, o movimento se tornou mais racional. "O investidor internacional olha para o Brasil hoje como aquele prédio antigo de Higienópolis: cheio de rachaduras, mas ainda muito barato pelo metro quadrado", diz a CEO da Magno Investimentos. O dólar à vista cedeu 0,45% nesta sessão, a R$ 4,99. A moeda segue com ganho de 1,9% na semana e, no mês, está 0,7% mais cara em relação ao real. No ano até aqui, cedeu 9,16% no mercado de câmbio local. Dois fatores distintos trabalharam em consonância nesta sessão, anestesiando parte dos ânimos exaltados por ontem. O primeiro foi técnico: depois de uma queda tão abrupta, parte dos investidores comprou o que estava barato. Construtoras e varejistas - os setores mais sensíveis a juros - lideraram as altas. Quando os contratos futuros de juros cedem, esses papéis reagem primeiro. Das 79 ações que compõem o Ibovespa atualmente, 61 valorizaram hoje. O segundo foi externo. "O câmbio passou a corrigir parte do movimento, acompanhando também um ambiente externo mais favorável, com melhora moderada do apetite por risco, queda dos yields longos dos Treasuries e sinais mais construtivos na reunião entre Trump e Xi Jinping", explica Bruno Shahini, especialista da Nomad. O giro financeiro do Ibovespa ficou em R$ 22 bilhões hoje, 21% acima da média dos últimos 12 meses, de R$ 18,2 bilhões. Donald Trump e Xi Jinping se reuniram em Pequim na reunião que rendeu, até agora, apenas um comunicado. Os dois líderes concordaram que o Estreito de Ormuz deve permanecer aberto para o livre fluxo de energia, e que o Irã não pode ter arma nuclear. Além disso, a China expressou interesse em comprar mais petróleo americano. Porém o que apareceu de mais concreto do encontro foi a autorização americana para que empresas chinesas comprem chips de IA da Nvidia - o que explica por que o S&P 500 e o Nasdaq renovaram máximas históricas enquanto o Ibovespa se recuperava de um escândalo doméstico. Sobre Ormuz, analistas avaliaram que o comunicado representa "muito o status quo". Mais dois encontros estão previstos, por isso o mercado ainda não comemorou nem se decepcionou. E a reação neutra ao petróleo hoje resume esse ceticismo já embutido nos preços. "Existe também uma ironia sofisticada sustentando os ativos brasileiros. O país virou beneficiário relativo do caos global. Petróleo acima de US$ 100, commodities resilientes, juros elevados e fluxo estrangeiro transformaram o Brasil naquele aluno mediano que começa a parecer brilhante quando o restante da sala entra em colapso. O investidor local, porém, continua dividido entre fundamento e exaustão emocional, porque inflação resistente, juros elevados e ruído político criam um ambiente em que qualquer alta parece suspeita", afirma Brás. A tendência que não mudou O dado que importa para o médio prazo está nas variações acumuladas do print: o Ibovespa ainda está no vermelho na semana e no mês de maio. E essa alta de hoje não apaga isso - sequer recupera o patamar em que estava antes do "Flávio Day 2.0". "A tendência da bolsa já era de baixa mesmo antes dos acontecimentos que explodiram em Brasília", avalia Alison Correia, analista da Dom Investimentos. "O que já era tendência, só se confirmou." O índice que, em 13 de abril, chegou a 199.354 pontos - tão perto dos 200 mil que o mercado já ensaiava a comemoração - fechou ontem em 177 mil. São quase 22 mil pontos a menos em um mês. Brás considera que, tecnicamente, a situação do índice continua delicada. "A região entre 179.300 e 179.600 pontos virou uma muralha institucional", diz a CEO da Magno Investimentos. "SuperTrend, Ichimoku, realização de fluxo e resistência gráfica se empilham exatamente ali. O mercado encostou, hesitou e perdeu força. Traduzindo do economês para a vida real: o Ibovespa subiu até a porta da festa, mas ainda não recebeu autorização para entrar." A especialista explica que a tendência principal na carteira ainda é de baixa. "E tendência forte raramente morre num pregão de alívio técnico. No mais, a guerra continua. Tanto a de narrativas políticas quanto a real, no Golfo Pérsico. A resposta política de Flávio Bolsonaro mandará no clima daqui em diante. O senador admitiu o contato com Vorcaro, mas negou irregularidade. Porém as pesquisas das próximas semanas vão dizer se o dano foi pontual ou estrutural para a candidatura. "O mercado financeiro tem um humor peculiar. Ele destrói patrimônio no grito e reconstrói confiança no sussurro. E, hoje, o Ibovespa ainda parece muito mais um sussurro nervoso do que uma verdadeira mudança de tom", conclui Brás. A taxa de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 saiu de 14,21% para 14,18% ao ano. Prêmios em contratos de curto prazo estão mais ligados às expectativas dos investidores para a Selic.No médio prazo, os retornos da taxa para janeiro de 2031 oscilaram de 14,11% para 14,06% ao ano.Já para janeiro de 2036, a taxa oscilou de 14,16% para 14,10% ao ano. Vencimentos com prazos mais longos refletem uma maior preocupação com calote do governo. Comportamento das ações do Ibovespa em 14/5/2026 Código Nome Abertura Mínima Média Máxima Fechamento Var. % USIM5 USIMINAS PNA 9,23 9,19 9,66 9,93 9,89 7,97 CEAB3 CEA MODAS ON 10,58 10,58 10,96 11,13 11,05 5,84 MRVE3 MRV ON 6,20 6,18 6,35 6,45 6,43 4,89 CSNA3 SID NACIONAL ON 6,48 6,26 6,52 6,73 6,67 4,71 LREN3 LOJAS RENNER ON 13,35 13,31 13,72 13,90 13,72 4,41 HAPV3 HAPVIDA ON 13,04 12,61 13,10 13,58 13,26 4,08 HYPE3 HYPERA ON 23,51 23,14 23,45 23,70 23,37 3,54 POMO4 MARCOPOLO PN 5,99 5,99 6,09 6,13 6,11 3,21 NATU3 NATURA ON 9,51 9,47 9,72 9,92 9,79 2,94 MBRF3 MARFRIG ON 17,15 16,96 17,56 18,07 17,42 2,89 DIRR3 DIRECIONAL ON 13,25 13,25 13,48 13,63 13,46 2,83 PRIO3 PETRORIO ON 65,00 65,00 66,99 67,94 67,29 2,81 COGN3 COGNA ON 2,57 2,56 2,61 2,64 2,61 2,76 CPLE3 COPEL ON 14,70 14,69 14,90 14,97 14,93 2,54 ITSA4 ITAUSA PN 12,95 12,91 13,16 13,22 13,17 2,49 IGTI11 IGUATEMI S.A UNT 26,06 26,06 26,44 26,63 26,52 2,12 MULT3 MULTIPLAN ON 29,50 29,33 29,82 30,12 29,89 1,98 ITUB4 ITAU UNIBANCO PN 40,15 39,99 40,47 40,65 40,40 1,94 ASAI3 ASSAI ON 8,54 8,44 8,58 8,67 8,59 1,90 AZZA3 AZZAS 2154 ON 18,81 18,63 18,94 19,32 18,85 1,89 RENT3 LOCALIZA ON 43,69 43,06 44,08 44,62 43,94 1,88 CSMG3 COPASA ON 51,35 51,11 51,91 52,32 52,25 1,83 VIVA3 VIVARA ON 22,79 22,69 22,95 23,20 23,00 1,77 B3SA3 B3 ON 16,95 16,58 16,81 16,96 16,93 1,74 VBBR3 VIBRA ON 33,39 33,00 33,44 33,86 33,39 1,58 BRAV3 BRAVA ON 18,04 17,92 18,15 18,29 18,19 1,51 ALOS3 ALLOS ON 28,76 28,61 28,89 29,14 28,87 1,48 GOAU4 GERDAU MET PN 10,25 10,13 10,24 10,34 10,27 1,48 SBSP3 SABESP ON 29,10 29,10 29,56 29,77 29,52 1,44 BBSE3 BB SEGURIDADE ON 34,11 34,11 34,48 34,65 34,48 1,32 TIMS3 TIM ON 22,42 22,38 22,58 22,69 22,60 1,25 GGBR4 GERDAU PN 23,59 23,23 23,50 23,79 23,58 1,16 CSAN3 COSAN ON 4,64 4,55 4,64 4,72 4,65 1,09 BBDC4 BRADESCO PN 17,80 17,78 17,93 18,06 17,84 1,08 BEEF3 MINERVA ON 4,10 4,04 4,10 4,15 4,09 0,99 UGPA3 ULTRAPAR ON 29,39 29,06 29,58 29,86 29,55 0,99 PETR4 PETROBRAS PN 44,46 44,38 45,07 45,37 45,00 0,96 WEGE3 WEG ON 43,86 43,58 44,02 44,47 43,72 0,95 CXSE3 CAIXA SEGURI ON 17,47 17,47 17,58 17,75 17,54 0,92 BBDC3 BRADESCO ON 15,59 15,50 15,60 15,74 15,54 0,91 VAMO3 VAMOS ON 3,52 3,40 3,46 3,55 3,49 0,87 BPAC11 BTGP BANCO UNT 55,41 55,20 55,56 56,16 55,39 0,84 PETR3 PETROBRAS ON 48,90 48,81 49,49 49,89 49,38 0,82 PSSA3 PORTO SEGURO ON 48,76 48,42 48,73 49,09 48,70 0,77 RADL3 RAIA DROGASIL ON 19,55 19,28 19,62 19,83 19,64 0,77 AXIA6 AXIA ENERGIA PNB 61,03 60,44 60,78 61,81 60,86 0,76 AXIA3 AXIA ENERGIA ON 55,80 55,00 55,30 56,00 55,35 0,75 MOTV3 MOTIVA SA ON NM 14,72 14,72 14,78 14,89 14,76 0,61 RECV3 PETRORECSA ON 12,02 12,00 12,05 12,14 12,03 0,59 ENEV3 ENEVA ON 26,17 25,43 25,87 26,30 25,95 0,58 SANB11 SANTANDER BR UNIT 27,33 27,14 27,31 27,55 27,14 0,44 AURE3 AUREN ON 12,74 12,54 12,74 12,88 12,71 0,39 FLRY3 FLEURY ON 15,99 15,91 16,04 16,14 15,96 0,38 CYRE3 CYRELA REALT ON 22,28 21,70 21,98 22,56 21,88 0,37 KLBN11 KLABIN S/A UNT 16,98 16,76 16,93 17,08 16,86 0,30 ISAE4 ISA ENERGIA PN 28,98 28,63 28,91 29,21 28,89 0,28 CMIG4 CEMIG PN 11,37 11,26 11,32 11,41 11,28 0,27 SMFT3 SMART FIT ON 19,09 18,72 18,92 19,22 18,81 0,27 CURY3 CURY S/A ON 31,01 30,38 30,74 31,25 30,60 0,10 ENGI11 ENERGISA UNT 49,68 49,02 49,30 49,80 49,08 0,06 VIVT3 TELEF BRASIL ON 35,72 35,43 35,62 35,98 35,59 0,06 BBAS3 BRASIL ON 20,00 19,74 20,69 21,09 20,76 0,00 RDOR3 REDE D OR ON 35,20 34,58 34,87 35,27 34,75 -0,09 RAIL3 RUMO S.A. ON 15,41 15,21 15,36 15,55 15,27 -0,13 TAEE11 TAESA UNIT 39,05 38,51 38,73 39,25 38,61 -0,13 EMBJ3 EMBRAER ON 73,49 71,82 72,60 73,58 72,53 -0,14 TOTS3 TOTVS ON 31,69 31,60 32,20 32,82 31,60 -0,22 BRKM5 BRASKEM PNA 12,30 11,89 12,40 12,83 12,15 -0,49 CPFE3 CPFL ENERGIA ON 45,97 45,21 45,49 46,22 45,21 -0,57 MGLU3 MAGAZINE LUIZA ON 7,09 6,83 6,95 7,13 6,91 -0,72 ABEV3 AMBEV S/A ON 15,96 15,75 15,89 16,10 15,77 -0,88 SUZB3 SUZANO S.A. ON 43,30 42,60 42,96 43,46 42,62 -0,88 CMIN3 CSN MINERACAO ON 4,83 4,62 4,75 4,88 4,77 -1,04 EGIE3 ENGIE BRASIL ON 32,91 32,50 32,72 33,20 32,50 -1,07 EQTL3 EQUATORIAL ON 39,46 38,71 39,07 39,77 38,80 -1,15 YDUQ3 YDUQS PART ON 10,09 9,74 9,86 10,17 9,74 -1,32 SLCE3 SLC AGRICOLA ON 17,36 16,65 17,34 17,70 17,34 -1,59 VALE3 VALE ON 85,00 82,63 83,46 85,41 82,87 -1,70 BRAP4 BRADESPAR PN 23,60 22,77 23,01 23,66 22,85 -1,72
Ibovespa ensaia recuperação na ressaca do 'Flávio Day 2.0', mas não apaga tendência
Saldo do Dia: Passado o pânico, investidores começam a medir a capacidade da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) de superar a vinculação a Vorcaro. Porém a tímida alta do índice hoje não interrompe a trajetória de perdas na bolsa que começou semanas antes do escândalo












