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Professor do Departamento de Ciência Política da UFRJ e do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da UFJF

Por mais que hoje pareça difícil superar os danos do caso Vorcaro, a família Bolsonaro já demonstrou que seu capital eleitoral tem grande resiliência a escândalos de corrupção

Um leitor pouco atento ao calendário eleitoral brasileiro poderia concluir, pela leitura dos jornais das últimas semanas, que estamos às vésperas do segundo turno. Em postura pouco usual, manchetes e colunas passaram a praticamente ignorar os dados do primeiro turno e concentraram sua atenção em um hipotético segundo momento eleitoral. Seja por ansiedade, seja pelo interesse em produzir um fato consumado, a sensação é de uma eleição já consolidada — algo dificílimo de ocorrer tantos meses antes do pleito e que ignora um fato óbvio: o segundo turno depende profundamente do desenrolar do primeiro. Antes que a campanha atinja sua intensidade plena, é muito difícil prever o desempenho dos candidatos e sua interação no contexto eleitoral.

Os áudios de Flávio Bolsonaro desorganizaram a dinâmica da eleição e, sobretudo, da direita, mas, como efeito colateral, também deixaram um pouco ridícula a cobertura prévia das pesquisas e das eleições. Alguns podem criticar a pouca generosidade do colunista: afinal, um evento dessa magnitude, tão didático sobre as relações entre a família Bolsonaro e o ecossistema do Master, não seria esperado. Penso de modo um pouco diverso.