Os principais índices de ações de Nova York fecharam em queda nesta sexta-feira, em movimento de correção após uma sequência de recordes nas últimas sessões e pressão de um forte avanço nos rendimentos dos Treasuries e nos preços do petróleo. Os participantes do mercado também estão cautelosos diante do impasse diplomático no Oriente Médio, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deixar a China sem avanços relevantes sobre o conflito. No fechamento, o índice Dow Jones teve queda de 1,07%, aos 49.526,11 pontos, o S&P 500 recuou 1,24%, aos 7.408,50 pontos, e o Nasdaq caiu 1,54%, aos 26.225,145 pontos, após o S&P 500 e o Nasdaq renovarem seus recordes de fechamento na véspera. No acumulado da semana, as bolsas tiveram perda de 0,17%, alta de 0,13% e recuo de 0,08%, respectivamente. A maior parte dos setores da bolsa terminou o dia no negativo, com exceção de energia (+2,32%), que teve forte alta, em linha com o avanço dos preços do petróleo no pregão. As empresas de comunicação (-0,98%) e tecnologia (-1,61%), que vinham liderando o rali visto nos últimos dias, tiveram queda, com destaque para as fabricantes de chips e semicondutores. As ações da Intel (-6,18%), Micron Technology (-6,62%), AMD (-5,69%) e Nvidia (-4,42%) tiveram perdas. "Continuamos com uma visão positiva para as ações americanas e acreditamos que tendências estruturais, como inteligência artificial, eletrificação e longevidade, sustentarão o crescimento de longo prazo do mercado", comentam os estrategistas do UBS GWM. No entanto, eles afirmam que, diante do ritmo acelerado do recente rali, o movimento de consolidação não é uma surpresa, especialmente porque a incerteza geopolítica no Oriente Médio persiste e o Estreito de Ormuz continua bloqueado. Os preços mais altos de energia também se refletiram nos dados recentes de inflação, levando investidores a apagarem suas apostas em cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed) neste ano e favorecendo um avanço expressivo nos rendimentos dos Treasuries nesta sexta-feira. "Com a economia americana e o mercado de trabalho mostrando resiliência acima do esperado, e com a inflação provavelmente permanecendo elevada ao menos no curto prazo, o espaço para flexibilização monetária deve ser limitado, a menos que haja uma melhora muito clara nos fluxos de petróleo e um fim efetivo da guerra", pontuam economistas do Goldman Sachs em relatório.