0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O presidente Lula e o presidente do STF, ministro Edson Fachin, no Palácio do Planalto — Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo A decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), criou uma arapuca política para o governo Lula, que ainda busca encontrar um caminho para recuperar o controle da pauta e furar a onda negativa nas eleições. O afastamento do chefe da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, mina a estratégia inicial do presidente Lula de se manter distante da crise entre Mendonça e Alexandre de Moraes. Mesmo que não queira defender Andrei e opte por não reagir abertamente, a proximidade e a confiança de que goza junto ao presidente da República não deixa o governo passar incólume. Além de colocá-lo no polo oposto ao de Mendonça, que virou um “herói” da direita bolsonarista, o movimento tem potencial de colar Moraes e sua imagem desgastada na de Lula, faltando poucas semanas para o primeiro turno. Lula participou de um evento na tarde desta terça-feira no Planalto sem citar o episódio ou mencionar a crise institucional, ainda que tenha discutido o tema por toda a manhã e início da tarde com auxiliares próximos. As reações mais fortes foram de petistas e do partido em si. Do governo, o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, falou em rede social, insinuando intenções eleitoreiras por parte de Mendonça, mas o governo não foi além disso até o momento. Os sinais de bastidores são de que deve haver algum tipo de recurso, mas como isso será feito, em que bases, não está claro. Alguns interlocutores que conhecem os bastidores da Corte ouvidos pelo GLOBO apostam que o assunto irá para o Plenário do STF, onde Mendonça seria minoritário. A abertura dos termos do pedido de vista do ministro Gilmar Mendes reforça essa leitura de bastidor. A estratégia de Mendonça porém também complica esse caminho indicado por Gilmar. Ao levar para o plenário virtual da Segunda Turma, teoricamente eventual recurso teria que ser na própria turma, que já formou maioria com a posição pela saída de Andrei. Uma fonte lembra que o julgamento de Jair Bolsonaro foi na turma e sua defesa nunca conseguiu levar o tema para o Plenário da Corte. Mas outros interlocutores ponderam que há um clima de que tudo pode acontecer, dadas as recentes atitudes de Mendonça e do ministro Alexandre de Moraes, além do poder e influência de Mendes. Caberá ao presidente Edson Fachin arbitrar uma saída. A postura de Fachin, aliás, que começou a falar grosso na semana passada, mas efetivamente ainda não conseguiu aplacar a crise, é alvo de críticas em setores do governo, que o acusam de inação e falta de pulso. Crítica similar está sendo feita ao ministro-chefe da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias. Nas palavras de um interlocutor do governo, Mendonça partiu para o “all in” na disputa política. A imagem do jogo de poker é ilustrativa. O ministro indicado por Jair Bolsonaro deve ter boas cartas para jogar na mesa. Mas se não tiver o melhor jogo, pode perder tudo. Outra fonte lembra que, ao atender um pedido do partido Novo em pleno processo eleitoral, Mendonça ficou mais exposto como agente político, ideia aliás que está na peça de Gilmar Mendes ao falar de quebra de paridade de armas. Nesse ambiente cada vez mais pantanoso e politizado, a solução cada vez mais parece ser um basta a ser dado por Fachin e o Plenário do STF tanto a Moraes como a Mendonça. Se isso pacificará algo, é outra história. E os cacos e danos políticos ainda estão longe de ser calculados.