A ordem do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça para afastar o diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, reforçou entre aliados do governo Lula (PT) o discurso de que o magistrado age politicamente durante a campanha eleitoral para beneficiar Flávio Bolsonaro (PL).

Auxiliares do petista disseram que Mendonça criou uma espécie de armadilha para o Palácio do Planalto ao agir contra Andrei. Ao afastá-lo, o ministro do STF empurrou o governo para o centro da crise na corte e atropelou a estratégia que Lula vinha tentando sustentar, a de se manter distante da guerra no Judiciário e, principalmente, do caso do Banco Master.

Mendonça foi indicado à corte pelo pai de Flávio, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães (PT), disse nas redes sociais que a determinação de Mendonça "é descabida e uma intromissão onde não lhe cabe". "Apurar eventuais indícios de delitos está correto. Mas essa medida me cheira como eleitoral. Isso não pode! O STF precisa tomar providências", declarou.

A decisão de Mendonça, segundo governistas do Senado, também teria a intenção de pressionar o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para colocar em votação algum dos pedidos de impeachment contra Moraes.