O STF é, por desenho constitucional, um tribunal político. É a única das altas cortes do país para as quais o presidente da República, um agente político, pode indicar quem bem entender.

Não há listas, quinto constitucional e, a rigor, o sujeito não precisa nem sequer ter diploma de direito. Para que a nomeação se efetive, o indicado precisa apenas ser aprovado pelo Senado, que, mais do que um órgão político, é a casa das raposas políticas. E faz sentido que seja assim. Todas as grandes questões que vão ao STF têm uma dimensão política, com potenciais implicações sociais e econômicas, que não seria prudente ignorar.A política, porém, deveria ser só um tempero, jamais dispensando a corte de basear todas as suas decisões na melhor técnica jurídica. De uns anos para cá, não foram poucas as ocasiões em que ministros do STF sacrificaram a técnica para tornar-se ostensivamente políticos, às vezes até político-partidários, o que torna o tribunal disfuncional.

A decisão do ministro André Mendonça de afastar o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, do comando da corporação, mais do que uma resposta à escalada de seu embate com Alexandre de Moraes e ao cheiro da pizza assando no forno, transforma o STF em teatro de operações da disputa eleitoral. Lula, que vinha tentando manter um certo afastamento, é definitivamente arrastado para o centro do turbilhão, num movimento que poderá custar-lhe preciosos votos num provável segundo turno.