Bandalheiras no Supremo causam escândalo justificado. Também dão oportunidade a comportamento santarrão ou hipócrita de outra espécie, que prega soluções de moralismo política ou eleitoralmente interessado. O apodrecimento do STF vem de década e meia, anos em que a promiscuidade política e econômica do tribunal não causava tanta sensação, pois camuflada de modo útil para elites políticas e econômicas, antes que festas e farofas ricas de lobby ficassem exageradas. De resto, candidatos de grupos políticos associados a facções criminosas estão aí, sem suscitar manifestos de indignação.
Até essa conversa de "maior crise do STF da história" é fiada. O Supremo é pouco mais novo do que a proclamada República, pois coisa remotamente parecida com República não houve em mais da metade do tempo desde 1889. Tivemos 5 anos de ditadura militar até 1894 e 36 anos de República Velha, uma oligarquia de modos e ideias escravistas que fraudava eleições já elitizadas. Tivemos 15 anos de ditadura de Getúlio Vargas e 21 anos de ditadura militar, quando o STF era tolhido ou submisso ou decorativo ou teve a composição manipulada pelos ditadores.
Isto posto, a situação do STF é grave como jamais se viu desde que tentamos criar República de fato, a partir de 1988. Desde 2016, o regime é em parte ou em vários anos o do acordão transacional contra instituições, torcidas à base daquelas mumunhas que matam democracias, e de tentativas de golpe, com omissão ou participação ativa dos três Poderes. Além da entrada do crime no Estado e da privatização terminal do Orçamento, crápulas, negocismo, dinheirismo e acafajestamento vão dominando o país, não apenas na política (veja-se a quantidade de podreira empresarial e financeira), mas também na "sociedade e cultura".











