Todas as instituições devem ser constantemente atualizadas, pois a dinâmica da sociedade exige correções e adaptações a todo momento.

Com as instituições do sistema de justiça não seria diferente. Reconhecer falhas e observar mudanças exigidas pelo tempo é imperativo em qualquer reforma, mas há um nó górdio que exerce a função de espada de Dâmocles sobre quem se depara com o movimento reformista: a diversidade de visões sobre o que é o Judiciário, para quem ele serve e quais os problemas efetivos.

Italo Calvino, nas "Cidades Invisíveis", descreve Despina, lugar que visto do deserto, pelo cameleiro, parece um imenso barco rumo à vastidão do mar; visto do mar, pelo marinheiro, parece um imenso camelo na borda da imensidão do deserto.

O Judiciário visto pelos juízes é uma instituição que remunera aquém dos deveres e da importância do cargo, o que impede jovens promissores de optarem pela carreira.

Boa parte da sociedade vê a categoria como depositária de privilégios injustificáveis, uma espécie de casta que pouco produz em proveito do país, e só onera e ofende o cidadão comum, com seus excessivos gastos públicos.