Ministra do STF Cármen Lúcia — Foto: Eraldo Peres/AP A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), defendeu nesta sexta-feira (19) uma reformulação do papel do Poder Judiciário para aproximá-lo da sociedade e garantir uma Justiça mais humana, preventiva e comprometida com a democracia. Durante o seminário “A Justiça do Amanhã”, sobre o futuro do Judiciário brasileiro, realizado no Museu do Amanhã, a ministra afirmou que o desafio não é apenas repensar o Judiciário, mas colocar todos os poderes do Estado a serviço da cidadania. “Precisamos pensar em como pôr todo o poder a serviço de uma sociedade”, disse Cármen Lúcia, ao afirmar que as transformações do país dependem também da participação dos cidadãos. Segundo ela, a sociedade tem capacidade de provocar mudanças institucionais, citando como exemplo a aprovação da Lei da Ficha Limpa, resultado de um projeto de iniciativa popular. Ela defendeu que um Judiciário forte, independente, ético e presente é uma condição para a democracia: “Não existe democracia sem o Poder Judiciário forte, independente, ético e principalmente responsável e presente na vida das pessoas”, disse. Cármen Lúcia também defendeu a presença física dos magistrados nas comunidades como parte da construção de uma Justiça mais próxima da população. Segundo a ministra, o juiz precisa estar acessível ao cidadão, não apenas como autoridade institucional, mas como alguém capaz de ouvir e compreender a realidade de quem procura o Estado: “A presença do juiz é essencial para que a pessoa chegue e deposite ali a sua esperança numa Justiça que, na vida dela, é concreta." A ministra disse que a atuação do Judiciário ganhou uma nova dimensão com a consolidação do Estado Democrático de Direito, já que direitos previstos na Constituição precisam ser transformados em garantias efetivas para a população. “Nós não queremos Constituição na prateleira. Nós queremos a Constituição que se transforma na vida da história”, afirmou. Ela disse ainda que o sistema judiciário precisa se comunicar mais e melhor com toda a sociedade, com linguagem mais compreensível e dentro de uma ótica de transparência.