0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 A ministra Cármen Lúcia entre os ministros Gilmar Mendes (no alto), Luiz Fux e Edson Fachin — Foto: Nelson Jr/SCO/STF/09-02-2023 O acirramento dos ânimos entre os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) tem sido colocado na conta do presidente da corte, Edson Fachin. Cinco magistrados ouvidos pela coluna avaliam que a falta de liderança da presidência tem deixado espaço para crises e embates entre seus integrantes, como o ocorrido nesta semana entre Gilmar Mendes e André Mendonça sobre o caso Master. Esse grupo de ministros acredita que caberia a Fachin entrar em campo e “colocar a bola no chão”. Entre as queixas centrais estão a de que o presidente do tribunal exerce seu papel por meio de mensagens complexas e rebuscadas enviadas por WhatsApp e entra pouco em cena para construir as relações. — Ele realiza os almoços protocolares na Presidência. Mas esse tipo de desavença se resolve em outro ambiente. Tem que fazer um encontro em casa, reunir os ministros para tomar um uísque, conversar — disse um membro do STF à coluna. O estilo reservado e formal de Edson Fachin, no entanto, não inclui esse tipo de gesto. Magistrados chegaram a comparar sua presidência com a do antecessor, Luís Roberto Barroso, que, mesmo com um passado marcado por desavenças com Gilmar Mendes, conseguiu reconstruir a relação. Barroso promovia esses encontros informais como presidente da corte, na tentativa de construir consensos. Os apelos para que Fachin mude seu estilo não surtiram efeito e os magistrados passaram a lavar as mãos. — Se o presidente não agir logo, o clima na corte vai degringolar de vez — prevê outro ministro. Para esses magistrados, a falta de liderança do presidente abre espaço para que o decano Gilmar Mendes, conhecido por seu perfil mais incisivo, externe críticas que uma ala da corte faz reservadamente, evidenciando o clima hostil no tribunal. Em ano eleitoral, em que o STF é vitrine de ataques, ministros veem a necessidade de que um freio de arrumação seja dado com urgência. A autofagia pode ser um problema mais grave que a corte terá que enfrentar.