Alguns ministros do STF resolveram rifar a instituição do STF. No sentido literal e figurado. Atribuem a inédita crise de autoridade, integralmente, à delinquência extremista. Não admitem que sua má conduta, sua recusa em investigar a má conduta (sem falar da intimidação aos que sugerem investigar a má conduta), e sua exibida soberba diante da proposta de código de ética, tenham relação com isso.
A percepção pública está em seu pior patamar histórico, abaixo do pré-sal reputacional.
Pelo Datafolha, 40% veem o trabalho de ministros como ruim ou péssimo, 22% como ótimo ou bom. Pelo PoderData, ruim ou péssimo chega a 52%. Em 2021, era de 31%. A percepção positiva caiu para 9%. Em 2022, era de 25%.
Seria punição por sua virtude num país corrupto? Retaliação contra decisões corajosas por direitos de vulneráveis? Ou repúdio a seus vícios num país que ainda quer se pensar em termos republicanos, mesmo que hipocritamente? A prudência aconselha dar algum peso à última hipótese.
Alguns ministros confundem pedidos de autocorreção, até pedidos de transparência, com ofensas. Não foi essa a colegialidade que a filosofia do direito recomendou a cortes de Justiça. Porque colegialidade não equivale a cumplicidade e compadrio.







