Há um populismo que chega ao poder atacando inequivocamente instituições. Há outro, talvez mais insidioso, que começa por torná-las indignas de serem defendidas.
O método consiste em escolher uma distorção real, repeti-la à exaustão, transformando-se a exceção em regra, de modo a que essa parte, finalmente, passe a explicar o todo, diluindo a institucionalidade para não deixar pedra sobre pedra. A crítica, indispensável em qualquer democracia, deixa então de servir à correção e passa a alimentar a deslegitimação. Nenhuma instituição sobrevive incólume quando sua caricatura se torna mais conhecida que sua realidade.
O Poder Judiciário brasileiro tem vivido esse fenômeno. Nos últimos anos, uma instituição que decide dezenas de milhões de processos, arbitra conflitos políticos e econômicos, garante direitos fundamentais e, não poucas vezes, serviu de anteparo a investidas contra a democracia passou a ocupar o debate público com campanhas sistemáticas de descredibilização.
Distorções devem sempre ser corrigidas, e é justamente por isso que convém lembrar uma velha parábola. Na narrativa bíblica, joio e trigo crescem juntos. Diante da erva daninha, os servos se oferecem para arrancá-la. O senhor do campo os impede: ao arrancar o joio, poderiam arrancar também o trigo. Esperem a colheita, então será possível separá-los. A advertência não é um convite à complacência com o joio. É uma advertência contra a destruição do trigo.






