O escândalo do Banco Master pareceu provocar no STF um instinto de autopreservação. A magnitude das revelações e a reação da opinião pública teriam aparentemente convencido seus ministros de que era necessário conter excessos e restaurar a credibilidade da corte. A proposta do presidente Edson Fachin de criar um código de ética foi interpretada como sinal, ainda que tímido, desse movimento.
Os acontecimentos recentes mostram que essa expectativa era ilusória.
Jantar realizado na residência de Alexandre de Moraes reuniu o presidente da República, o presidente do Senado e os ministros Moraes e Cristiano Zanin. A cena, concebida como demonstração de pacificação, é, na realidade, uma representação exemplar da desordem institucional brasileira.
Em democracias institucionalizadas, conflitos entre os Poderes são processados por canais oficiais, públicos e impessoais. No Brasil, um ministro do Supremo transforma sua residência privada em mesa de negociação entre o presidente candidato à reeleição e o chefe da Casa Legislativa incumbida de aprovar ministros e eventualmente julgá-los. Participa também o ex-advogado pessoal do presidente, hoje ministro da corte. A cena se torna ainda mais perturbadora porque alguns dos presentes —ou seus familiares— são alvo de acusações envolvendo possíveis conflitos de interesse, questões que poderão chegar ao próprio tribunal.






