Nas últimas duas décadas, o Supremo Tribunal Federal deixou de ocupar apenas os momentos excepcionais da política brasileira para se tornar personagem permanente de suas principais disputas.
Julgamentos de parlamentares, crises entre os Poderes, decisões sobre políticas públicas e, mais recentemente, o confronto aberto com o bolsonarismo ampliaram a presença da Corte no debate político — movimento que agora também se reflete nos programas dos candidatos à Presidência.
Um dos marcos dessa transformação ocorreu em 2001, com a promulgação da Emenda Constitucional nº 35. A mudança retirou da Câmara e do Senado o poder de autorizar previamente a abertura de processos criminais contra parlamentares no STF, ampliando a autonomia da Corte para julgar integrantes do Congresso.
Nos anos seguintes, a Corte passou a ocupar posição central em sucessivas crises políticas e institucionais, do julgamento do mensalão ao impeachment de Dilma Rousseff, passando pela Lava Jato, a prisão de Lula antes da eleição de 2018 e, depois, pelo cordão democrático contra os arroubos golpistas de Jair Bolsonaro.
Foi durante o governo do ex-capitão que essa tensão ganhou dimensão eleitoral mais explícita. Alvo de investigações no Tribunal, o então presidente transformou ministros do STF, decisões judiciais e o próprio sistema eleitoral em alvos recorrentes de seus discursos. Em paralelo, propostas para limitar poderes da Corte, mudar regras de nomeação ou alterar suas competências passaram a ganhar espaço entre partidos e candidatos.








