O Brasil tem passado nos últimos anos por grandes desafios. Desde a Constituição de 1988, muita coisa mudou. O STF começou a exercer maior papel nas discussões jurídicas e políticas; o Parlamento, a disputar com o Executivo a administração de bilhões do Orçamento; e o Executivo, a transitar entre o fortalecimento institucional e o enfraquecimento, acarretando fisiologismos, em verdadeiro "toma lá dá cá".

Desde o mensalão e a Lava Jato até, agora, as grandes operações mirando sonegadores, que também têm atingido em cheio a indústria de fundos, tudo tem virado palco para desmandos e ilegalidades. Entre erros e acertos, percebe-se que as instituições estão funcionando, após a tentativa de derrocada do regime democrático.

Ministros no plenário do Supremo Tribunal Federal - Pedro Ladeira - 12.ago.26/Folhapress

Ocorre que, enquanto os erros perduram, ou na medida em que se sequestra algum discurso nesses microssistemas do poder, o país sofre. Apenas após o olhar pelo retrovisor, passada a turbulência, vê-se que o pêndulo tende a voltar a um local de aceitação de institucionalidade saudável.

Nesse jogo complexo, extraem-se duas situações anômalas em relação ao Congresso Nacional: a indevida atuação, como se Judiciário fosse, das comissões parlamentares de inquérito; e o poder de liberação de emendas de forma livre de fiscalização.