É de se lamentar a radicalização da política no Brasil atual. No fim do mês passado, um grupo boçal de direita simulou o enforcamento e o espancamento de um boneco com referências ao PT e à esquerda no camping da Festa do Peão de Barretos. Em seguida, esquerdas autoritárias dobraram a aposta.

Durante a noite de terça-feira (25), o estudante de história Diego Araújo foi retirado da sala de aula e agredido por um grupo de alunos no prédio do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ, a Universidade Federal do Rio de Janeiro. Segundo os linchadores, o rapaz seria nazista. Até agora, nenhum dos inúmeros vídeos legitima a versão do diretório acadêmico da UFRJ, que argumenta que o rapaz teria sido racista e agredido seus algozes.

Ainda assim, cabe a pergunta à turba. Mesmo se tratasse de um nazista, valeria o justiçamento? Sem julgamento, no calor da hora, ao sabor das multidões? Para acabar com o suposto nazista de plantão, vale agir como diz a súmula do nazismo, linchando alguém? O que resta de civilizatório em nós quando os métodos são idênticos?

Este caso é paradigmático, pois revela que a radicalidade não tem certificado de origem. Pode vir de qualquer lado do espectro político. Desde que legitimada pelo discurso "correto".