Em março de 2026, um vereador paulistano de extrema direita instalou uma tenda na Praça do Relógio da Universidade de São Paulo segurando uma placa com os dizeres “aborto é assassinato”. Dizia estar ali para ‘debater ideias’.
Pouco tempo depois, o campus se transformaria em cenário de confronto, empurrões, spray de pimenta e vídeos que rapidamente circularam nas redes sociais como prova da suposta intolerância das universidades públicas brasileiras.
No mês seguinte, em Hortolândia (SP), famílias esconderam gravadores dentro das mochilas de crianças para registrar, sem o conhecimento do professor, aulas da rede municipal. Os episódios sintetizam uma dinâmica cada vez mais frequente: escolas e universidades transformadas em espaços de vigilância, exposição pública e disputa ideológica, quase sempre acompanhadas pela acusação de que professores estariam “doutrinando” estudantes.
Em um ano marcado por eleições, não causa estranhamento a recorrência de episódios que transformam escolas e universidades em alvos de disputas ideológicas – amplamente exploradas nas redes sociais.
Parlamentares, influenciadores e grupos políticos da extrema direita brasileira têm retomado discursos que criminalizam o trabalho docente por meio de pânicos morais centrados na figura do “professor doutrinador”. Não raramente, após a repercussão desses episódios, anunciam candidaturas, fortalecem projetos eleitorais ou declaram apoio político a determinados candidatos.














