Na quinta-feira, dia 20, o deputado estadual Diego Castro, do PL, entrou na Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia com o kit básico desse tipo de ação política: seguranças, alguém encarregado de filmar e um roteiro na cabeça.
Filmou, retirou adesivos eleitorais, fez discursos, encenou sua revolta diante da câmera e de estudantes que correram para o espetáculo. E, como se diz no futebol, "esperou o contato, o contato veio", na sequência prevista: berros, dedos na cara, empurrões, boletins de ocorrência, notas de repúdio, reportagens e vídeos para as redes. No dia seguinte, um influenciador que se apresenta como Heitor Bolsonaro voltou ao local, também com o celular ligado, à procura de adesivos, placas de banheiro e reação.
É tentador descrever os episódios como "confusões". Não são. Confusão é aquilo que ninguém planejou e todos prefeririam que não tivesse acontecido. Esse tipo de confronto em universidades públicas é uma ação política com método, repertório e incentivos conhecidos no Brasil há pelo menos uma década.
O método começa pela escolha do flagrante. É preciso encontrar algo capaz de indignar a audiência: propaganda, pichações, banheiros, palavras de ordem, símbolos progressistas, qualquer material que possa ser apresentado como prova de que a universidade foi capturada pela esquerda ou transformada em território de reprodução ideológica. O objetivo é voltar com imagens que confirmem uma narrativa pronta.








