Em 22 de julho, dois pré-candidatos a deputado federal em Pernambuco protagonizaram um debate extremo, em muitos sentidos. De um lado estava o historiador Jones Manoel (PSOL), uma das figuras com maior presença digital na esquerda brasileira atual —ou na esquerda radical, espectro em que ele faz questão de se situar. Do outro, o jornalista e vereador Eduardo Moura (Novo), nome em ascensão na direita radical pernambucana.

Promovido pelo podcast Fala Ordinário, braço do perfil Recife Ordinário (2,2 milhões de seguidores no Instagram), o encontro mobilizou expectativas: bares da cidade fizeram exibições ao vivo em telão, anunciando o evento como se faz em decisões no futebol.

Quando Jones já estava no estúdio, Moura avisou que não iria, para desespero do apresentador Gabriel Oliveira. Quando ele anunciava ao vivo o cancelamento, o vereador do Novo chegou de surpresa, e o mal-estar pela travessura deu o tom do que viria a seguir. O debate durou mais de três horas e foi marcado pela violência verbal.

Jones chamou Moura de "canalha", "desequilibrado", "misógino", "imbecil", "surtado" e "vagabundo", entre outros xingamentos. Moura chamou Jones de "lixo humano", "semianalfabeto", "frouxo", "escória", disse que o oponente merecia pena de morte e de prisão ("e no presídio até virando mulher").